A chuva que cai, a moeda que cai
O corpo que cai, a bolsa que cai
O tempo que cai e hoje cedo eu disse sim
Tenha um bom dia, te ligo mais tarde
Tá bom, ok, tá, tá, tchau.
Me diz quanto falta pras uma
Valeu, agora me diz onde vamos almoçar hoje
Tá chovendo, e eu nem trouxe agasalho
Mas que merda, não devia acreditar
Nessa previsão do tempo
E o dia que podia ser tão bom...
Não vejo a hora de chegar as seis
Quarta feira é vespera de feriadão
Não vejo a hora, por mais que nem deva sair
Nem deva viajar
Devo ficar em casa lendo alguma coisa
Sábado tem festa da Aninha, mas parece que esse ano
Ela quer só cortar um bolinho mesmo
E esse ano eu faço 26...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Entre Eu, Você e Este Outro (Corpo)
Que corpo vai ficar sem sono no verão
que corpo vai ficar entre a brecha
que sobra entre eu você?
Que silêncio vai ficar desperto e não
minha boca, que pouco descreve
está boquiaberta diante de você...
Quando ambos os corpos adormecem
que corpo fica acima do céu?
Quando todos os corpos adormecem
sob a terra, que corpo fica
entre eu e você?
Que corpo fica
entre eu e este outro?
que corpo vai ficar entre a brecha
que sobra entre eu você?
Que silêncio vai ficar desperto e não
minha boca, que pouco descreve
está boquiaberta diante de você...
Quando ambos os corpos adormecem
que corpo fica acima do céu?
Quando todos os corpos adormecem
sob a terra, que corpo fica
entre eu e você?
Que corpo fica
entre eu e este outro?
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Uma Canção Pra...
Pra quando você abrir a porta
Sua visita entrar e dizer tchau
O seu cachorro entrar e dizer te amo
E seus filhos, saindo, dizendo "pai, adeus"
Pra quando você abrir a porta de casa
O céu que te quer tão bem dizer "oi"
E seu quintal, que te quer também, "um beijo"
E a porta da garagem te dizer "bom dia, se cuida"
Pra quando você abrir a porta do carro
O cheiro guardado exclamar "ó não!"
A estrada e o cansaço te perguntarem "again?"
E os pedestres dizendo o silêncio
Pra quando você abrir a porta e a boca
O cheiro de casa te dizer "já foi"
A esposa calada te perguntar do pão
Seus filhos deixarem recados na secretária
Pois é véspera, é Natal
E vai que o ano novo não chega
E vai que o ano novo não chega...
E vai que o ano novo já passou?
Sua visita entrar e dizer tchau
O seu cachorro entrar e dizer te amo
E seus filhos, saindo, dizendo "pai, adeus"
Pra quando você abrir a porta de casa
O céu que te quer tão bem dizer "oi"
E seu quintal, que te quer também, "um beijo"
E a porta da garagem te dizer "bom dia, se cuida"
Pra quando você abrir a porta do carro
O cheiro guardado exclamar "ó não!"
A estrada e o cansaço te perguntarem "again?"
E os pedestres dizendo o silêncio
Pra quando você abrir a porta e a boca
O cheiro de casa te dizer "já foi"
A esposa calada te perguntar do pão
Seus filhos deixarem recados na secretária
Pois é véspera, é Natal
E vai que o ano novo não chega
E vai que o ano novo não chega...
E vai que o ano novo já passou?
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Foz
Porque a paz há de chegar e selar o sétimo selo
O mar do vermelho repousará no azul
E brilhará no mesmo céu onde brilha Zumbi
Cada silhueta agora desfocada sob o sol preto
No mar de alfalto vermelho e açoite
Que à luz do dia destruiu
E a voz da história construiu
Cada silhueta apagada há se de tornar estrela
De riscar de luz nossa face à noite
Mas até lá...
Porque o Rio há de ser uma cidade pra frente
Tropas pacificadoras hão de trazer mais
Saúde e paz, menos necrotério - aqui jaz
A cidade de quem queria viver
Dando seu lugar
A uma cidade pra quem quer ver
Porque São Paulo e qualquer outra capital, periferia
Não há de ser diferente à luz do dia
Se cada pedaço de país e do mundo é um pedaço
Do mesmo sim, do mesmo não, do mesmo fundo
De oceano que tem quem ache que não navega
Mas navega sim, e navegar é preciso
Por mais que indeciso seja o pulso do povo
E o peito de quem queria querer lutar e não luta
Até eu.
Até eu e
Até lá...
Este Rio que lava minha pele
A marca com suas águas vermelhas
E porque iria eu pensar que só este Rio deságua aqui
Se todos os Rios deste país desaguam em mim
Desaguam em ti
Se todos os Rios deste país se mancham do mesmo sangue
Se todos os Rios do mundo se mancham do mesmo sangue
Se todos os Rios cuja água eu bebo levam, consigo, embora
Um pouco do meu próprio sangue.
O mar do vermelho repousará no azul
E brilhará no mesmo céu onde brilha Zumbi
Cada silhueta agora desfocada sob o sol preto
No mar de alfalto vermelho e açoite
Que à luz do dia destruiu
E a voz da história construiu
Cada silhueta apagada há se de tornar estrela
De riscar de luz nossa face à noite
Mas até lá...
Porque o Rio há de ser uma cidade pra frente
Tropas pacificadoras hão de trazer mais
Saúde e paz, menos necrotério - aqui jaz
A cidade de quem queria viver
Dando seu lugar
A uma cidade pra quem quer ver
Porque São Paulo e qualquer outra capital, periferia
Não há de ser diferente à luz do dia
Se cada pedaço de país e do mundo é um pedaço
Do mesmo sim, do mesmo não, do mesmo fundo
De oceano que tem quem ache que não navega
Mas navega sim, e navegar é preciso
Por mais que indeciso seja o pulso do povo
E o peito de quem queria querer lutar e não luta
Até eu.
Até eu e
Até lá...
Este Rio que lava minha pele
A marca com suas águas vermelhas
E porque iria eu pensar que só este Rio deságua aqui
Se todos os Rios deste país desaguam em mim
Desaguam em ti
Se todos os Rios deste país se mancham do mesmo sangue
Se todos os Rios do mundo se mancham do mesmo sangue
Se todos os Rios cuja água eu bebo levam, consigo, embora
Um pouco do meu próprio sangue.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Girar Pra Quê
Uma manhã não é completa sem um copo de café
Uma manhã não é A manhã sem um bom cado de fé
Uma manhã não amanhece
Sem um pouco de vontade de ficar na cama
Uma manhã não é manhã sem um pouco de sede
Sem uma boa boca alheia para se matar a sede de "bom dia"
Que a noite só faz apetecer
Uma manhã só amanhece se estiver nua
Com uma vontade de ficar na sua
Uma vontade de ficar na sua manhã
E só hoje entardecer mais tarde... Mais tarde...
Só depois da Terra lembrar de girar de novo com a Lua
Só depois do sino da Igreja tocar Maria
Só depois que a moça abrir a janela pro povo da rua,
que amanhece a cidade, tão cedo, ao seu passo,
dizendo bom dia.
Uma manhã não é A manhã sem um bom cado de fé
Uma manhã não amanhece
Sem um pouco de vontade de ficar na cama
Uma manhã não é manhã sem um pouco de sede
Sem uma boa boca alheia para se matar a sede de "bom dia"
Que a noite só faz apetecer
Uma manhã só amanhece se estiver nua
Com uma vontade de ficar na sua
Uma vontade de ficar na sua manhã
E só hoje entardecer mais tarde... Mais tarde...
Só depois da Terra lembrar de girar de novo com a Lua
Só depois do sino da Igreja tocar Maria
Só depois que a moça abrir a janela pro povo da rua,
que amanhece a cidade, tão cedo, ao seu passo,
dizendo bom dia.
domingo, 4 de julho de 2010
What Is Isso
Um copo de Coca pra você se afogar
Um par de sopapos pra você se sangrar
Um amor pra você se suar
Um pouco de coca pra você não cheirar
Um par de sapatos pra você ir comprar
Um amor pra você alugar
Um jogo da Copa pra brasileiro ralhar
Um par de apitos pra vizinho acordar
Um amor pra você odiar
Um pouco de perdão pra você desprezar
Um par de abraços pra você desatar
Um amor pra você duvidar
Uma cana com limão pra você respirar
Um par de amigos, vocês a destilar
Um amor só pra lhe vigiar
Um resto de verão pra você desaguar
Um par de estrelas pra você se guiar
Um amor pra você se afogar.
Um par de sopapos pra você se sangrar
Um amor pra você se suar
Um pouco de coca pra você não cheirar
Um par de sapatos pra você ir comprar
Um amor pra você alugar
Um jogo da Copa pra brasileiro ralhar
Um par de apitos pra vizinho acordar
Um amor pra você odiar
Um pouco de perdão pra você desprezar
Um par de abraços pra você desatar
Um amor pra você duvidar
Uma cana com limão pra você respirar
Um par de amigos, vocês a destilar
Um amor só pra lhe vigiar
Um resto de verão pra você desaguar
Um par de estrelas pra você se guiar
Um amor pra você se afogar.
sábado, 3 de julho de 2010
Outras Manhãs
Marina contava estórias de pé de árvores
Sozinha, pois varavam à noite inteira
Se a linha do horizonte pudesse tecer
Um colo de seda p'ra aquecê-la
O horizonte sentava aos seus pés também
E nunca que amanhecia
E nunca que raiava o sol
E outras estrelas que se achegavam
Mais perto de Marina
Quando se chegasse a hora
Sua voz faria outros dias raiarem
Nessa terra a fora.
Sozinha, pois varavam à noite inteira
Se a linha do horizonte pudesse tecer
Um colo de seda p'ra aquecê-la
O horizonte sentava aos seus pés também
E nunca que amanhecia
E nunca que raiava o sol
E outras estrelas que se achegavam
Mais perto de Marina
Quando se chegasse a hora
Sua voz faria outros dias raiarem
Nessa terra a fora.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Palavra Solta
Palavra solta
Não presa entre os dentes
Palavra corta
Não bate palma nas costas
Do corpo vermelho
De sangue não
De raiva...!
Pra ser sincero é só febre
Palavra cinza, afinal
Quem vai ser presidente?
A Nação que se quebre
Corpo cinza
Preso entre o teto de casa
E a Av. Paulista
Corpo volta
Da mesma pista
P'ra mesma cama
Na mesma hora
Nem toda noite
Tem estrela cadente
Palavra volta
Em duplas
De 3 em 3
Sozinha, embora
Às vezes em braile
Palavra nua
Corpo nu, antes
Que este se cale
Depois
Durante a balada
Palavra e corpo escorrendo
P'ra tudo que é canto
Haja terra p'ra tanto
P'ra tanta gente cantando
Tanta gente calada.
Não presa entre os dentes
Palavra corta
Não bate palma nas costas
Do corpo vermelho
De sangue não
De raiva...!
Pra ser sincero é só febre
Palavra cinza, afinal
Quem vai ser presidente?
A Nação que se quebre
Corpo cinza
Preso entre o teto de casa
E a Av. Paulista
Corpo volta
Da mesma pista
P'ra mesma cama
Na mesma hora
Nem toda noite
Tem estrela cadente
Palavra volta
Em duplas
De 3 em 3
Sozinha, embora
Às vezes em braile
Palavra nua
Corpo nu, antes
Que este se cale
Depois
Durante a balada
Palavra e corpo escorrendo
P'ra tudo que é canto
Haja terra p'ra tanto
P'ra tanta gente cantando
Tanta gente calada.
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