quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Vicodin Nº 2
"Everything is Wrong". As coisas estão absoluta e concretamente erradas. Até a mais perfeita erratidão se atrapalha e agrava entre tantos tropeços, mal-entendidos, vinganças e cagadas. Minha saliva jamais será tão boa pra boca dela. Meus lençóis nunca federão e transpirarão o bastante quando seu corpo quiser feder e enxarcar. Cada luta será um adeus. Cada adeus será o precipício, e eu e o coiote caindo, e, depois do chão ao fundo perfurado pela nossa carcaça, um outro precipício, e depois deste outro chão e precipício, e um outro, um outro e um outro, e o mesmo eu, e, o coiote. O mesmo Deus deslizando sobre a superfície da água.
Pocket Truths (03)
Jesus hoje em dia não salva nem documento do Word.
Mas salva a graça do blog de muita gente
(O Google tá ai, di prova).
Só Tetris salva de encosto e da Maria Padilha (só quem já pegou ônibus para Av. Brasil vai pegar essa... Tá, metade dessa).
Mas salva a graça do blog de muita gente
(O Google tá ai, di prova).
Só Tetris salva de encosto e da Maria Padilha (só quem já pegou ônibus para Av. Brasil vai pegar essa... Tá, metade dessa).
Pocket Truths (02)
Orgasmo é orgasmo em qualquer cultura.
Incesto é incesto também, mas isso foi Levi-Strauss quem disse.
Publicidade é publicidade, propaganda é propaganda, em qualquer país.
O Youtube tá ai pra provar.
Incesto é incesto também, mas isso foi Levi-Strauss quem disse.
Publicidade é publicidade, propaganda é propaganda, em qualquer país.
O Youtube tá ai pra provar.
Pocket Truths (01)
Provavelmente as pessoas com quem você será quase mais que perfeito serão suas grandes amigas.
Provavelmente as pessoas com quem você será, feliz e infelizmente, muito mais que humano serão suas mais intensas amantes.
Provavelmente as pessoas com quem você será, feliz e infelizmente, muito mais que humano serão suas mais intensas amantes.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Miranda
Miranda cantava em Sol
De mãos dadas com o sol
Seu o gato chiava com a antena
Amarrada nas costas
A televisão miava o horário nobre
E a ralé cantava a abertura da novela nova
Da porta da cozinha sua mãe avental
À gritar "devolve essa saudade antes que suje
tira o amor d'cima do muro, menina, tão rude...
cadê o beijo que tava aqui em cima da pia?
tá morta? me trag'a garganta de volta!
antes d'eu bater, chega, minha filha
essa porta! oi? eu vou contar até três: um..."
dia.
se foi.
De mãos dadas com o sol
Seu o gato chiava com a antena
Amarrada nas costas
A televisão miava o horário nobre
E a ralé cantava a abertura da novela nova
Da porta da cozinha sua mãe avental
À gritar "devolve essa saudade antes que suje
tira o amor d'cima do muro, menina, tão rude...
cadê o beijo que tava aqui em cima da pia?
tá morta? me trag'a garganta de volta!
antes d'eu bater, chega, minha filha
essa porta! oi? eu vou contar até três: um..."
dia.
se foi.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Gengibre Maçã
Ainda que você seja o adeus mais justo que me aconteceu
Ainda a mão
Ainda que seja seu o sorriso que me restar, por Deus
Ria não
Ainda que não haja ninguém depois de você
Vai ter sim
Ainda que estas cidades sem seus portos, Carnavais
Fevereiros, e sem santos, ademais...
Vê? Eu vim
Ainda que você seja a maior palavra que eu já disse
Soletre-se-à mim
(Com cada consoante e reticências)
Ainda que eu volte atrás, pra onde você não está
Esteja no mesmo lugar
Que eu deixei
Ainda que seja sim o não que hei de ouvir na hora H
(E se eu errei)
Sorria, tá?
Ainda que, do gengibre, eu morda o lábio seu
Ou que a ferida inflame
Ou que eu ouça outro nome
Fica, vá.
Ainda a mão
Ainda que seja seu o sorriso que me restar, por Deus
Ria não
Ainda que não haja ninguém depois de você
Vai ter sim
Ainda que estas cidades sem seus portos, Carnavais
Fevereiros, e sem santos, ademais...
Vê? Eu vim
Ainda que você seja a maior palavra que eu já disse
Soletre-se-à mim
(Com cada consoante e reticências)
Ainda que eu volte atrás, pra onde você não está
Esteja no mesmo lugar
Que eu deixei
Ainda que seja sim o não que hei de ouvir na hora H
(E se eu errei)
Sorria, tá?
Ainda que, do gengibre, eu morda o lábio seu
Ou que a ferida inflame
Ou que eu ouça outro nome
Fica, vá.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Suíte Post Moderna, Parte I - Abertura (Retalhos)
I
Ana, profana, ó, sana!
'Miga tão mana
Faz jus não à tua fama
Troca o caldo da cana
Pelo açaí da banana
Com granola, e desencana
Dessa lama, levanta da cama
Sê si mesma, fim de semana
Vossos mistérios, Suçuarana!
II
De antes do carnaval seu grito me faz mal ao pensamento e, no, dia à dia, alegria alegria, no convento, febre sob as águas, e toma, toma a Vaca Vegan que El Niño é teu, se o ar condicionado quebra é graças à deus, sim, todo PMDB deve ser castigado por tanto mal, e o inverno no Leblon nunca fora tão equatorial, e a Banda de Ipanema continua ainda engarrafando o trânsito do sul da Zona Sul, e o Céu de Verão da cidade à nascer nas pessoas (não o contrário), continua azul.
IV
Ae, ae, ae, ae
Ê, ê, ê, ê
Ôooooooooooo
(Mais uma!)
Ae, ae, ae, ae
Ê, ê, ê, ê
Ôoooooooooo...
V
Peço, agora, adeus
Que o ato de falho de se perder tempo
Seja enfim recompensado
Com muito mais tempo para se perder.
VI
Obrigado.
Ana, profana, ó, sana!
'Miga tão mana
Faz jus não à tua fama
Troca o caldo da cana
Pelo açaí da banana
Com granola, e desencana
Dessa lama, levanta da cama
Sê si mesma, fim de semana
Vossos mistérios, Suçuarana!
II
De antes do carnaval seu grito me faz mal ao pensamento e, no, dia à dia, alegria alegria, no convento, febre sob as águas, e toma, toma a Vaca Vegan que El Niño é teu, se o ar condicionado quebra é graças à deus, sim, todo PMDB deve ser castigado por tanto mal, e o inverno no Leblon nunca fora tão equatorial, e a Banda de Ipanema continua ainda engarrafando o trânsito do sul da Zona Sul, e o Céu de Verão da cidade à nascer nas pessoas (não o contrário), continua azul.
IV
Ae, ae, ae, ae
Ê, ê, ê, ê
Ôooooooooooo
(Mais uma!)
Ae, ae, ae, ae
Ê, ê, ê, ê
Ôoooooooooo...
V
Peço, agora, adeus
Que o ato de falho de se perder tempo
Seja enfim recompensado
Com muito mais tempo para se perder.
VI
Obrigado.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Yo! Ma Lady (Pés)
Instruções:
Esta é mais uma daquelas poesias malas
de depois do pós-post-modernismo
E como fruto de toda pós-post-modernidade tem suas contradições
Ironias, e doses de humor britânico (sem gracisse mesmo), em sentido lato.
Essas instruções já estão ficando maiores
que o conteúdo do poema de fato.
Então vamos lá:
Favor ler em ritmo de recitação de rap
Se rolar preguiça, pule de poema ou vire a página
Porque (junto e sem acento) não vai adiantar.
Imagine-se em qualquer periferia
Que você jamais visitaria
Depois das 6 tarde
Porque não é problema seu
E, não, claro, nem de Deus
Beijo, divirta-se e se cuida.
Esta é mais uma daquelas poesias malas
de depois do pós-post-modernismo
E como fruto de toda pós-post-modernidade tem suas contradições
Ironias, e doses de humor britânico (sem gracisse mesmo), em sentido lato.
Essas instruções já estão ficando maiores
que o conteúdo do poema de fato.
Então vamos lá:
Favor ler em ritmo de recitação de rap
Se rolar preguiça, pule de poema ou vire a página
Porque (junto e sem acento) não vai adiantar.
Imagine-se em qualquer periferia
Que você jamais visitaria
Depois das 6 tarde
Porque não é problema seu
E, não, claro, nem de Deus
Beijo, divirta-se e se cuida.
There's something sweet about that lady...
NO! There's something sick about that bitch
That stupid depressing bitch
Whose nose could not be any closer to the sky
The boring, bipolar whore
Her lies, her cries, too dry, no more
Empty and full of any love lace
Misplaced, dear Lord, in peace and space.
Mas quandoquando eu detesto eu dedico
Barrinha de cereal Nestlé, NÃO!, Chokitos
E frusto-me do amor o qual ia, e aplico
Ao céu azul, foz nascente, este bendito
Canto, e se sou eu, o eu lírico, que me isento
Da paz que outrora eu próprio me intento
Frusto a tal da santa e ofusco, a mira, o cupido
Furo o asfalto ausente de meus pés, este maldito.
P.S:
Favor colaborar com o autor e,
após a leitura deste poema, doar, escrever mesmo, um verso aleatório
qualquer coisa, em francês, no verso ou no final desse papel
ou no espaçozinho pra comentários do blog.
Claro, isso se você souber francês
(se não souber, não precisa escrever nada não).
O autor ainda não teve tempo (dinheiro, claro) de fazer um cursinho desses
para aprender um pouco do elegante e famigerado idioma.
Muito grato desde já.
P.P.S:
Os versos coletados serão usados em um próximo poema.
Também pós-post-moderno.
(Se eu lembrar disso, é claro.)
Favor colaborar com o autor e,
após a leitura deste poema, doar, escrever mesmo, um verso aleatório
qualquer coisa, em francês, no verso ou no final desse papel
ou no espaçozinho pra comentários do blog.
Claro, isso se você souber francês
(se não souber, não precisa escrever nada não).
O autor ainda não teve tempo (dinheiro, claro) de fazer um cursinho desses
para aprender um pouco do elegante e famigerado idioma.
Muito grato desde já.
P.P.S:
Os versos coletados serão usados em um próximo poema.
Também pós-post-moderno.
(Se eu lembrar disso, é claro.)
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
"Eu Sou Alberto Pereira"¹
As cidades que amanhecem
E seus Centros com odor de urina
Todo e qualquer Centro fede a urina
As namoradas que desapegam, da Lan House
O E-mail derradeiro de despedida, beijos me liga
As manchetes que ignoro de meia em meia hora
A tragédia humorística do jornal popular
Os convites de emprego nas cidades do interior
As colônias francesas cheirando ao pescoço
As flores e o sangue
As audições no Projac
O passeio na Ilha de Itaparica
No Jardim Botânico, a trilha no Parque Lage
O fim de semana em Paraty
O Natal da Avenida Paulista
E da Lagoa Rodrigo de Freitas
O Shopping da Barra, o Barra Shopping
(Shopping é shopping em qualquer canto
Pessoas são diferentes)
O cochilo papelão deitado e distraído
Na própria merda e no próprio mijo
Quiçá nas próximas férias na Europa
E as últimas férias na Região dos Lagos foram
Há 20, 30 anos atrás
O Caetano, o Haiti e o Leblon
Daqui é um longo vôo até Paris e os
Aeroportos fechando às vésperas do Carnaval
(Aeroporto também é Aeroporto em qualquer lugar
Aeromoças, idem)
Porém seu vôo particular do Santos Dummond
O furúnculo ainda aberto da sua barriga
O dinheiro que parou de pedir
Porque ninguém pedia
A fita amarela amarrada e o pedido
De assistir à próxima e a última Copa na África
O fim de semana no Centro da cidade e a paz
A paz que só sente quem sabe
O que o silêncio dessas ruas traz.
E seus Centros com odor de urina
Todo e qualquer Centro fede a urina
As namoradas que desapegam, da Lan House
O E-mail derradeiro de despedida, beijos me liga
As manchetes que ignoro de meia em meia hora
A tragédia humorística do jornal popular
Os convites de emprego nas cidades do interior
As colônias francesas cheirando ao pescoço
As flores e o sangue
As audições no Projac
O passeio na Ilha de Itaparica
No Jardim Botânico, a trilha no Parque Lage
O fim de semana em Paraty
O Natal da Avenida Paulista
E da Lagoa Rodrigo de Freitas
O Shopping da Barra, o Barra Shopping
(Shopping é shopping em qualquer canto
Pessoas são diferentes)
O cochilo papelão deitado e distraído
Na própria merda e no próprio mijo
Quiçá nas próximas férias na Europa
E as últimas férias na Região dos Lagos foram
Há 20, 30 anos atrás
O Caetano, o Haiti e o Leblon
Daqui é um longo vôo até Paris e os
Aeroportos fechando às vésperas do Carnaval
(Aeroporto também é Aeroporto em qualquer lugar
Aeromoças, idem)
Porém seu vôo particular do Santos Dummond
O furúnculo ainda aberto da sua barriga
O dinheiro que parou de pedir
Porque ninguém pedia
A fita amarela amarrada e o pedido
De assistir à próxima e a última Copa na África
O fim de semana no Centro da cidade e a paz
A paz que só sente quem sabe
O que o silêncio dessas ruas traz.
¹Palavras recitadas, ou gritadas, por um mendigo no centro da cidade
do Rio de Janeiro
em uma manhã de Domingo, enquanto socava violentamente o chão.
do Rio de Janeiro
em uma manhã de Domingo, enquanto socava violentamente o chão.
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