terça-feira, 18 de outubro de 2011

Repente (Ela Me Ligou Da Beira do Trilho do Trem)

Ela me ligou da beira do trilho do trem
Embora não passem mais trens na via, aqui na Capital
Ela me perguntou que mal havia
em querer chover aos sábados, gritou que era engano
E discou outro ramal.

Ontem sonhei que eu só tinha um pulmão
Que eu entupia em nicotina
Uma fada, sobrada, na mochila
Na véspera do fim do mundo
Eu bebia um gole seu e atacava o porto errado
Declarava a guerra errada
Parava no ponto errado
Pegava a charrete errada
Cantava o repente errado
Minha sorte, moribunda
Nem sabia que horas eram
Eu beijava um beijo torto
Na boca do meu passado

Quando acordei, ereto o corpo
Dez ligações perdidas
No silencioso celular
Acendi o fogo, cigarro
Fucei o espelho e descobri
Que acordei dessa vez em outro lugar
Desrespeito não se aprende
Alegria é nascer sabendo
Tristeza é morrer querendo
Morrer a morte mais perfeita.

Jurei vingança à manhã recém nascida
Que já pedia a saideira
Mal sabia do dia a cor
E do fundo do último copo de cerveja
Já rachado a noite inteira
Eu respirava e entendia:
Ela me ligou da beira do trilho do trem
Cheia de drogas, libido, cupidos e promessas
Pra me querer e fazer bem
Foi quando o sol me passou despercebido
A pé, o dia inteiro já vivido
Não tinha como dar de ré.

sábado, 15 de outubro de 2011

Prólogo: É preciso a morte dos amores perdidos. É preciso a morte do seu próprio amor quando já morto e renascer por algum outro. Não qualquer outro.

Com um certo coração empapado, de desespero por cafeína e esperança.
Urgência.
Estrelas cadentes,
Precisa-se do céu em outro lugar acima do teto
Cada milagre que já existiu, se faz necessário existir novamente, mesmo se enchente entre quatro paredes e às tragédias que deste fato viriam.
E se necessário desviver o viver ideal, deve se parir o mal se apenas pelo mal se ama. Por mais que os deuses que sangram jurarem o contrário.

Epílogo: Deveria o amor perfeito de cada Maria se embriagar de Cachaça barata e trair sua família. No final de cada conta, indicado seria amar devagar a vida porque pressa se tem desde já p'ra viver. Pois não se faz do próprio coração um Cálice e dele se bebe o sangue como se houvesse sede no mundo p'ra tanto.

domingo, 9 de outubro de 2011

Estanque

Havia perdido um lago
um lago de sal e terra
havia perdido um riso
uma dança
um feriado
e uma mão
sem pedras.

Um rio, sem metáfora, um rio
cortava minha casa
e além da ribeira
do banho
e da sede
havia também
Quem bebesse.

Sem se esconder da luz ou manhã
nem disfarçar abraço em promessa
havia uma cidade ensaiada
naquela casa
esperando a tarde passar.

Agora à noite
sem metáfora, estanque
um rio de saudade escorre dos seus olhos
e seca.

domingo, 2 de outubro de 2011

Não se meta com o Sol alheio.