quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Esboços e Sketches no 2

Chegar na empresa onde se trabalha, subir em um elevador vazio, aproveitar sua acústica natural para cantar algo como "How Deep Is Your Love", do Bee Gees, empolgada e estabanadamente (coreografia autoral e olhinhos fechados inclusos) e dar de cara, ao abrir da porta: com a sua chefe saindo pro almoço, com x estagiárix que você queria pegar no Carnaval, com o leiteiro que se enganou de andar, com seu vizinho tarado pedindo pra abaixar o som, com a sua avó que já morreu, com seu cachorro implorando comida, e com uma ilustre desconhecida lhe perguntando "o senhor já possui cartão C&A?"
Falar mais do que o costume sobre futebol com os colegas de trabalho/academia/faculdade para fingir ser mais hétero normativo do que se realmente é, em uma tentativa de ser menos hostilizado em outros contextos. (Mas se recusar a fazer comentários machistas com mesmo fim.)

Utilizar o toalete da empresa mais rapidamente ao perceber que a pessoa que estava usando o vaso sanitário está acabando suas necessidades (porque, embora em ato natural, seja simplesmente esquisito encará-la nessa circunstância). Anotar em uma lista mental pessoal com nome, foto e CPF, todas as pessoas que você vê saírem do banheiro sem lavar as mãos (para cumprimentá-las apenas à distância posteriormente).

Imaginar e rir sozinho com todas as possibilidades de susto que você poderia dar naquele funcionário público com mais de 10 anos de casa que dorme todos os dias durante o serviço mas não pode ser mandado embora por ser concursado e já ter passado do estágio probatório. Se segurar para não jogar lhe bolinhas de papel com saliva garganta à dentro da próxima vez que ele estiver dormindo boquiaberto, de cara pro corredor.

Quem nunca?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Memória no 1

─ Dentro da minha cabecinha os dias ficam misturados que nem purê de batata. Mãe, eu vi que quando a gente cresce, fica assim mesmo, cheio de fio branco pela cabeça. Procurei no dicionário hoje a palavra   "varapau". Descobri que nem é palavrão.

─ Chica bem que escreveu um poema, Maiá. Eu posso ler pra você? "Misturo os recreios, me ralo os joelhos, mal sara a ferida, me cai agora uma pedra em cima."

─ Pai, por que não neva aqui no bairro? Ouvi na rádio que tavam estudando velocidade da luz e ela é o tempo que demora pra lâmpada do Farol da Barra chegar aqui em casa. Eu, eu, muito provavelmente, por nada nesse mundo algum dia vou gostar de fígado acebolado.

─ Estou com um processo trabalhista em curso. Mãe, sonhei que era um passarinho, mas, Mãe, não desses que o tio Júlio deixa na gaiola de madeira, desses que a gente vê de vez e às vezes entrando na janela da cozinha, com fome, pra comer farelo de pão na mesa.

─ Me arranca a boca. Por que só a gente não janta na mesa de jantar? Maiá, falta quanto pra chegar o Natal? E o seu aniversário? E o meu? Acabou a quimioterapia. É benigno. É um menino. Por que tem sempre tanta gente morrendo na televisão?

─ Pra mais maior de nunca mais que eu vou mentir de novo, eu juro, amor. Quem jura, mente. Ouvi papai dizer que a gente vai pagar o apartamento pra sempre. O que que é inflação? Não quero que você aborte. Chica, pra que secar se vai molhar? Pra que chorar se já vai chover? 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Quase Infinito

Quase infinito.
Já diz o título:

Quase não cabe aqui dentro o meu amor pela chuva, pelos dias nublados, quase não cabe na minha janela o tamanho que a Lua faz hoje. Quase não cabe eu e o vizinho dentro do mesma rua. Quase não coube eu e o Governo Federal dentro dos anos 90. Quase tudo pode ser pequeno ou grande nesta vida, curto ou longo. Quase tudo é pequeno ou grande de acordo com o que se compara, o tamanho daquilo com o que se cabe no umbigo. Uma cidade pequena não cabe no bolso de ninguém, por mais que uma mão (ligeiramente desproporcional ao corpo) caiba. Quem é mais do que imensamente maior de grande não cabe dentro de si mesmo: e transborda. Embora cada quanto tenha seu jeito de ocupar seu lugar no espaço e quando. Dependendo da densidade de grandeza dois corpos podem preencher, por metro cúbico, a mesma área no vácuo. Algumas grandes verdades tendem a encolher com o tempo, talvez a maioria delas. Lamber um prato parece absurdo pra quem está com a geladeira cheia (quando é que se tem uma). Parece às vezes que uma fagulha de fósforo vive mais e melhor do que a gente. Cascas de milho costumam questionar as leis da física. Uma grande estrela cabe e sobra no universo: desperta, cochila, espirra, inspira, se estica, consome, nasce. Certos dias parecem durar mais que o tempo de vida de qualquer astro. Em planeta algum cabe um buraco negro. Ou mesmo zapatistas e republicanos. O soar de um "sim" dura um estalar de dedos. Dizem: num grande abraço cabe o mundo inteiro.

Jazz aqui minha cafonice sobejando pelas unhas, pois: quase não cabe dentro de casa o meu amor pela chuva, pelas goteiras no corredor que dá pro banheiro, quase não cabe no seu pescoço meus trinta dentes, quanto mais no meu. Quase não cabe eu e você no mesmo prato, na mesma noite, na mesma cama, no mesmo teto. Quase não cabe a palavra no vão entre os dentes. Mas coube.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Monólogo em Areia e Dedo: Seis

Hoje não estou inspirado. Eu acordei querendo falar de alguma coisa, acho que sonhei com alguma coisa, mas esqueci, e ai já viu. Tinha um professor, eu ia criticar a realidade universitária, a hipocrisia acadêmica, o ostracismo de quem não se adequa aos padrões institucionais, blá, isso, mas na hora, no sonho, durante o sonho, parecia tão boa ideia, que eu levantei, fui fazer café, já tava meio esquecido, bebi, sentei, aquela coisa de que tinha algo pra aparecer na cabeça, abri o bloco de notas, nada, abri o e-mail pra ver se tinha alguma coisa, tinha uma propaganda de desconto na mensalidade da Gama Filho, daí lembrei, e já não tinha graça, porra, como é que eu vou escrever sobre isso, sabe? Mal consigo acompanhar as leituras por um semestre. E parece que acontece todo dia de manhã, todo dia fico meio cansado, essa minha mania de ir dormir três da manhã, acordar sete, o trânsito no Rio, o Centro, tá aquela bosta, né? Daí já viu. Mas eu queria, queria aquela inspiração. Aquela vontade de ser amado, de sentir uns cheiros, de arranjar uma mulherzinha, pra levar no cinema, discutir relação, tomar esporro porque falou da ex na frente dela, transar no final de semana. Aquela vontadezinha de passar mal, querer morrer, porque tomou um não na cara, porque descobriu uma nova pessoa babaca, mas por quem tá apaixonado pra caralho, tanto que fica cantando Art Popular no Karaokê do Self-Service prato-feito, 9,90 sem balança, no horário de almoço do trabalho, pedindo cerveja, com os amigos arrastando pra subir de novo, tomando esporro do chefe por ter voltado com bafo de álcool pra trabalhar, tomar esporro da mãe, da tia porque não pega o telefone e liga, de mandar mensagem pra ex depois do almoço e ela só responder depois da janta e tu ficar perguntando porque ela demorou tanto e não acreditar quando ela disser que tava sem crédito, de ter pesadelos. Sinto falta de ter pesadelos pesados, sabe? Coisa de ver gente morrendo esmagada no metrô da Supervia, do capiroto comendo boi cru com facão, ver a namoradinha da quinta série pegando um marmanjão da oitava na sua frente, no meio da festa junina da escola, coisa de ficar sem energia elétrica por 15 dias, de acordar de madrugada e encontrar 7 baratas no banheiro, ou de sentir um cocô de pombo no ombro enquanto andar na rua mas olhar e encarar na verdade uma caranguejeira, coisa do Bolsonaro ser eleito presidente vitalício da América Latina, ou de ser arremessado amordaçado no meio do Pacífico por traficantes do morro do Sovaco da Cobra. Nem sei pra que lado fica o Pacífico, Copacabana dá no Atlântico, né? Sempre troco.

Viajei, agora. Desde que acordei eu tô assim, meio grogue. Coisa de cair de calhar de pegar o raio do buraco do ônibus errado, ficar distraído nessa joça de trânsito e notar a burrada só 20 minutos depois, num bairro desconhecido. E isso nem precisa ser pesadelo, acontece volta e meia, é verdade. Até tentei escrever outra coisa, não sobre isso, um poema sobre o ciclo da vida, sobre o transporte público, sobre as chuvas que alagam a cidade, as águas de março, meter uma metáfora entre Carnaval, Sol, cerveja, chuva, Tom Jobim, Elis Regina, lavar e tirar batom na cueca, como se eu algum dia tivesse feito isso, mas também, olha, tava ficando ruim, peguei e rasguei, digo, deletei, quem escreve alguma coisa a mão hoje em dia ainda? Muita gente, claro, eu falo como se vivesse com celular na mão, enfim, nesse instante eu tô aqui enrolando, no serviço, hoje tem pouco fluxo, deixo no mudo direto e vou derrubando ligação, e eu só preciso estar digitando alguma coisa, que meu chefe passa e acha que eu tô trabalhando, mas provável que ele tá puto que nem eu, quem é que gosta de trabalhar sábado de tarde? Esses dias, no meio do serviço, me mandaram uma sms aqui, quem ainda manda sms? Foi uma Carol, queria saber qual, na hora não sabia. Raio de nome comum, mas depois eu descobri, era a Giaccomo, família italiana, enfim, essa tal me chamou pra ir no cinema com ela, e eu, todo, né? me sentindo, vivia chamando ela e ficava me adiando, no mais, respondi, marcamos, fomos ver algum trocinho cult, o que ela queria não tava em cartaz, acabou que paramos em algum filme argentino, só que sem tango. E ela me falando da tal da ex, que terminaram, e que precisava sair pra espairecer, e me pediu um abraço, e explicou uma receita de capuccino caseiro imperdível, e eu me senti assistindo Ana Maria Braga, pois eu não devia parar de coar chá preto em meia. Comentou também que adora literatura africana, subsaariana, que adora Paul Thomas Anderson, e veio falar de uma outra menina, que conheceu outro dia em uma passeata, foi quando eu vi que não dava pra rolar nada mesmo, mas, no mais, o passeio foi bom, acabou que ela virou fechamento e vamos sair com uma galera semana que vem.

Aliás, o raio do filme que a gente viu só me deixou triste, uma garota sozinha, no meio de Buenos Aires, uns muçulmanos, não saquei direito porque tava ficando com sono. Acho que por isso queria escrever uma coisa que prestasse, falar, sei lá. Chegar ali na Uruguaiana, pegar o violão, sentar, fazer os três acordes que eu sei, ver se dava um troco. Esses dias um desses meus amigos de teatro, ateu-pagão-hippie-e-amor-livre que só, ensaiou uns versículos da Bíblia e ficou imitando um personagem de pastor que ele mesmo criou, ali em frente ao Camelódromo mesmo. Depois de 20 minutos já tinham uns 15 ouvintes, 40 minutos, uns 30 cabeças, uma amiga ficou de testemunha, vendo de longe, de uma daqueles Rei do Mate que apareceram lá. Não deu uma hora, ele cansou, se despediu do público, deu uns panfletos que ele imprimiu no trabalho, com a igreja falsa que ele também inventou, "Távola Cíclica de Cristo", por aí, e foi descansar. Parece que tava fazendo laboratório pra alguma peça. Eu queria ser assim, sabe? Espontâneo, ficar fazendo coisas aleatórias, até mesmo sem lá muito sentido, mas que ficam bonitas de se contar pros outros depois. Eu só faço comer e dormir ultimamente, nem gripe direito pego, não rola balada, e se rola, é um tédio. Pareço preso num daqueles filmes que passam de madrugada, sabe Corujão? Que você assiste mas fica a sensação de que você deveria estar dormindo, fica pensando que é terça feira. Falando em bicho, pensei em arranjar um, um gato, um rato, mas dá trabalho. Nem sei se o síndico do prédio deixa. Estou escrevendo em casa já, aleás. Pensando em colocar telefone fixo aqui com secretária eletrônica pra ver se alguém liga e deixa algum recado. Esses dias ligou uma senhora, já de idade, lá pro trabalho, ficou perguntando o meu nome, da minha vida, onde eu estudava, se meu curso ia dar dinheiro, e eu fui dando bola, era simpática. No final ela decidiu que ia cancelar o contrato do raio do seguro do cartão de crédito, mas eu, ah, sei lá, também. Torcendo pra ser mandado embora mesmo. É um emprego temporário, eu sei, eu sei. Já-já eu consigo atuar na minha área. Trovoada. Amanhã vai cair um pé d'água e o único guarda chuva aqui de casa nem cabe na minha mochila. Vou é deitar, já vai dar três. Quero ver levantar. Hoje eu não tô inspirado e fico aqui só falando nada. Pelo menos passou a febre.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Das Fábulas Rasas: Dois

Entram no elevador. Seus passageiros consistem em 4 homens e 1 mulher. O prédio tem 35 andares e se localiza no centro da cidade. É de manhã cedo, o turno das 8 horas está por começar. Os 4 homens vestem calça jeans de diferentes cores, exceto um, que trabalha no almoxarifado, terceirizado, e está de bermuda pois vestirá o uniforme de sua empresa em instantes. A mulher usa uma saia pouco acima dos joelhos, salto de 5 centímetros, sua altura total deve estar em torno de 1,67. Ela fica mais próxima da porta porque será a primeira a descer, no quinto andar. Os demais, por sua vez se encontram pelas extremidades do elevador, dois deles trabalham no último andar. O veículo é espaçoso, sua lotação máxima é de até 25 pessoas. O homem de bermuda é o primeiro a sair, no quarto andar. A mulher sai em seguida, no já referido quinto andar. Segue o diálogo que ocorreu em seguida:

Homem nº 2: ─ Nossa, eim?
Homem nº 3: ─ Ahm?
Homem nº 4: ─ ...
2: ─ Pô, não é? Moreninha, assim... Pego e faço a festa
3: ─ Ô
4: ─ Risos
2: ─ Uma vez uma recepcionista lá do meu andar era tipo assim também, moreninha, raimunda. Os marmanjo velho tudo ficava dando em cima, tudo louco pra dar uma carcada nela.
3: ─ Hum
2: ─ Pô, tu não concorda? Vem com saia assim, tá bem que nem é tão curta, mas, já viu, né? Só mostrar um pouquinho de perna e ser tanajura pra rapaziada ficar com a vara acesa.

O elevador para no vigésimo andar porque alguém solicitou para subir também. Porém, ninguém adentra. Por um problema mecânico, o elevador demora mais para fechar suas portas em alguns andares.

2: ─ Daí eu, o quê, né? O mais inteirão da sessão, consegui arrastar ela prum hotel três semanas depois. Pena que conseguiu outra proposta de emprego, sei lá. De quatro ela era...

O elevador para no trigésimo andar, e a pessoa do discurso mais prolixo sai sem exatamente se despedir, cortada por uma gravação descrevendo esta informação. Era uma voz feminina com sotaque de português brasileiro paulista. A porta se fecha.

4: ─ Meio doente esse cara, né?
3: ─ Pois é, ó o andar, é da arrecadação. Lá tá cheio de gente assim
4: ─ É fogo... Pior que era bonitinho...
3: ─ É, bundinha boa
4: ─ Um queixo bonito, boca boa... Mas machão escroto
3: ─ Pior que nem achei ele tão hétero assim, sabia?
4: ─ Como assim?
3: ─ Pera

O elevador chegara no trigésimo quinto andar. Os dois saíram compartilhando a conversa a seguir, porém, não antes de observar se haviam muitas pessoas ao redor. Por se tratar de uma excepcionalidade de horários e coincidências terem chegado pouco depois das 8 da manhã, apenas a recepcionista, que pelo revezamento de turnos, neste dia, era uma pessoa confiável, estava presente no saguão de entrada.

3: ─ Então, nem achei tanto.Ouvi várias histórias aqui na empresa ultimamente...
4: ─ Orra, conta então!
3: ─ Melhor não, o que importa é que gente que fica tentando se afirmar demais assim, sei lá, sei não...
4: ─  É, se bobear esse aí ainda não achou a chave do armário... Mas que que você ouviu falar, criatura?
3: ─ Ah, um superintendente de não sei que setor foi visto por aí... Mas isso em si é tranquilo, né. O fogo é que tinha todo um esquema por trás dos panos... Enfim, galera de outra geração, sabe? Em vez de ficar de boa...
4: ─ E você fica aí sendo todo vago... Até a hora do almoço eu te arranco mais alguma coisa
3: ─ Tá bom, tá bom. Mas, pra mim, esses aí assim, não boto minha mão no fogo não. E mesmo se não for, não deixa de ser babaca. Se bobear ainda vaza umas histórias aí...
4: ─ É, se bobear...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Parece que trocaram meu coração por uma granada de mão. Quantos anos vamos envelhecer este ano?

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Barricadas

A gente meio que morre
A gente cicatriza
A gente abraça de lado
 A gente usa letra maiúscula
A gente erra o tom
A gente quebra espelhos e se enrosca com os cacos
A gente esboça e finaliza o acabamento das nossas mentiras
A gente decora e esquece aniversários
A gente volta do banheiro sem lavar as mãos
A gente trinca a janela de casa com passe errado de bola
A gente aponta faca com o dente alheio
A gente beija a nuca de quem mal conhece
A gente apara a barba que cresce no jardim
A gente desencrava unhas por dinheiro
A, gente erra a vírgula
A gente não sabe acentuar direito
A gente sequer sabe se está chovendo
Mas
A gente faz barricada com o coração
A gente e os pombos, as esquinas
Os pedintes, os lixeiros, os gatos ronronando nas calçadas
Os padeiros, jornaleiros, os ambulantes
Os cobradores, os motoristas de ônibus
Os atendentes de telemarketing
E alguns poucos executivos no centro da cidade.
Isso, às vezes, basta.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Tudo No Seu Devido Lugar:

Não vamos perder a cabeça
Ou vamos?

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Hélices

Helicópteros!
Helicópteros,
No telhado aqui de casa

São tão óbvios
Corrigindo minha gramática
Rasurando o azul do céu

Helicópteros, creio
sabem onde eu moro, sabem
Dos meus domingos escondidos...

Como helicópteros no recreio
Sobrou o pega-pega
Acabou o pirulito

Abafam o som, o samba
Ô, Sol! no meu varal
Tá sombra...

Estilhaçando no ar
Abraço, soco, bomba
Pois: sempre preferi o Mar

Onde escondo meus domingos
Onde cabe um comprimido
Sabem. Onde hoje cedo
Guardei meus sapatos
Sabem
E não guardam segredo.