terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Barricadas

A gente meio que morre
A gente cicatriza
A gente abraça de lado
 A gente usa letra maiúscula
A gente erra o tom
A gente quebra espelhos e se enrosca com os cacos
A gente esboça e finaliza o acabamento das nossas mentiras
A gente decora e esquece aniversários
A gente volta do banheiro sem lavar as mãos
A gente trinca a janela de casa com passe errado de bola
A gente aponta faca com o dente alheio
A gente beija a nuca de quem mal conhece
A gente apara a barba que cresce no jardim
A gente desencrava unhas por dinheiro
A, gente erra a vírgula
A gente não sabe acentuar direito
A gente sequer sabe se está chovendo
Mas
A gente faz barricada com o coração
A gente e os pombos, as esquinas
Os pedintes, os lixeiros, os gatos ronronando nas calçadas
Os padeiros, jornaleiros, os ambulantes
Os cobradores, os motoristas de ônibus
Os atendentes de telemarketing
E alguns poucos executivos no centro da cidade.
Isso, às vezes, basta.

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