Chegar na empresa onde se trabalha, subir em um elevador vazio,
aproveitar sua acústica natural para cantar algo como "How Deep Is Your
Love", do Bee Gees, empolgada e estabanadamente (coreografia autoral e
olhinhos fechados inclusos) e dar de cara, ao abrir da porta: com a sua
chefe saindo pro almoço, com x estagiárix que você queria pegar no
Carnaval, com o leiteiro que se enganou de andar, com seu vizinho tarado
pedindo pra abaixar o som, com a sua avó que já morreu, com seu
cachorro implorando comida, e com uma ilustre desconhecida lhe
perguntando "o senhor já possui cartão C&A?"
Falar mais do que o costume sobre futebol com os colegas de trabalho/academia/faculdade para fingir ser mais hétero normativo do que se realmente é, em uma tentativa de ser menos hostilizado em outros contextos. (Mas se recusar a fazer comentários machistas com mesmo fim.)
Utilizar o toalete da empresa mais rapidamente ao perceber que a pessoa que estava usando o vaso sanitário está acabando suas necessidades (porque, embora em ato natural, seja simplesmente esquisito encará-la nessa circunstância). Anotar em uma lista mental pessoal com nome, foto e CPF, todas as pessoas que você vê saírem do banheiro sem lavar as mãos (para cumprimentá-las apenas à distância posteriormente).
Imaginar e rir sozinho com todas as possibilidades de susto que você poderia dar naquele funcionário público com mais de 10 anos de casa que dorme todos os dias durante o serviço mas não pode ser mandado embora por ser concursado e já ter passado do estágio probatório. Se segurar para não jogar lhe bolinhas de papel com saliva garganta à dentro da próxima vez que ele estiver dormindo boquiaberto, de cara pro corredor.
Quem nunca?

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