Quase infinito.
Já diz o título:
Quase não cabe aqui dentro o meu amor pela chuva, pelos dias nublados, quase não cabe na minha janela o tamanho que a Lua faz hoje. Quase não cabe eu e o vizinho dentro do mesma rua. Quase não coube eu e o Governo Federal dentro dos anos 90. Quase tudo pode ser pequeno ou grande nesta vida, curto ou longo. Quase tudo é pequeno ou grande de acordo com o que se compara, o tamanho daquilo com o que se cabe no umbigo. Uma cidade pequena não cabe no bolso de ninguém, por mais que uma mão (ligeiramente desproporcional ao corpo) caiba. Quem é mais do que imensamente maior de grande não cabe dentro de si mesmo: e transborda. Embora cada quanto tenha seu jeito de ocupar seu lugar no espaço e quando. Dependendo da densidade de grandeza dois corpos podem preencher, por metro cúbico, a mesma área no vácuo. Algumas grandes verdades tendem a encolher com o tempo, talvez a maioria delas. Lamber um prato parece absurdo pra quem está com a geladeira cheia (quando é que se tem uma). Parece às vezes que uma fagulha de fósforo vive mais e melhor do que a gente. Cascas de milho costumam questionar as leis da física. Uma grande estrela cabe e sobra no universo: desperta, cochila, espirra, inspira, se estica, consome, nasce. Certos dias parecem durar mais que o tempo de vida de qualquer astro. Em planeta algum cabe um buraco negro. Ou mesmo zapatistas e republicanos. O soar de um "sim" dura um estalar de dedos. Dizem: num grande abraço cabe o mundo inteiro.
Jazz aqui minha cafonice sobejando pelas unhas, pois: quase não cabe dentro de casa o meu amor pela chuva, pelas goteiras no corredor que dá pro banheiro, quase não cabe no seu pescoço meus trinta dentes, quanto mais no meu. Quase não cabe eu e você no mesmo prato, na mesma noite, na mesma cama, no mesmo teto. Quase não cabe a palavra no vão entre os dentes. Mas coube.
Já diz o título:
Quase não cabe aqui dentro o meu amor pela chuva, pelos dias nublados, quase não cabe na minha janela o tamanho que a Lua faz hoje. Quase não cabe eu e o vizinho dentro do mesma rua. Quase não coube eu e o Governo Federal dentro dos anos 90. Quase tudo pode ser pequeno ou grande nesta vida, curto ou longo. Quase tudo é pequeno ou grande de acordo com o que se compara, o tamanho daquilo com o que se cabe no umbigo. Uma cidade pequena não cabe no bolso de ninguém, por mais que uma mão (ligeiramente desproporcional ao corpo) caiba. Quem é mais do que imensamente maior de grande não cabe dentro de si mesmo: e transborda. Embora cada quanto tenha seu jeito de ocupar seu lugar no espaço e quando. Dependendo da densidade de grandeza dois corpos podem preencher, por metro cúbico, a mesma área no vácuo. Algumas grandes verdades tendem a encolher com o tempo, talvez a maioria delas. Lamber um prato parece absurdo pra quem está com a geladeira cheia (quando é que se tem uma). Parece às vezes que uma fagulha de fósforo vive mais e melhor do que a gente. Cascas de milho costumam questionar as leis da física. Uma grande estrela cabe e sobra no universo: desperta, cochila, espirra, inspira, se estica, consome, nasce. Certos dias parecem durar mais que o tempo de vida de qualquer astro. Em planeta algum cabe um buraco negro. Ou mesmo zapatistas e republicanos. O soar de um "sim" dura um estalar de dedos. Dizem: num grande abraço cabe o mundo inteiro.
Jazz aqui minha cafonice sobejando pelas unhas, pois: quase não cabe dentro de casa o meu amor pela chuva, pelas goteiras no corredor que dá pro banheiro, quase não cabe no seu pescoço meus trinta dentes, quanto mais no meu. Quase não cabe eu e você no mesmo prato, na mesma noite, na mesma cama, no mesmo teto. Quase não cabe a palavra no vão entre os dentes. Mas coube.

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