sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Das Fábulas Rasas: Dois

Entram no elevador. Seus passageiros consistem em 4 homens e 1 mulher. O prédio tem 35 andares e se localiza no centro da cidade. É de manhã cedo, o turno das 8 horas está por começar. Os 4 homens vestem calça jeans de diferentes cores, exceto um, que trabalha no almoxarifado, terceirizado, e está de bermuda pois vestirá o uniforme de sua empresa em instantes. A mulher usa uma saia pouco acima dos joelhos, salto de 5 centímetros, sua altura total deve estar em torno de 1,67. Ela fica mais próxima da porta porque será a primeira a descer, no quinto andar. Os demais, por sua vez se encontram pelas extremidades do elevador, dois deles trabalham no último andar. O veículo é espaçoso, sua lotação máxima é de até 25 pessoas. O homem de bermuda é o primeiro a sair, no quarto andar. A mulher sai em seguida, no já referido quinto andar. Segue o diálogo que ocorreu em seguida:

Homem nº 2: ─ Nossa, eim?
Homem nº 3: ─ Ahm?
Homem nº 4: ─ ...
2: ─ Pô, não é? Moreninha, assim... Pego e faço a festa
3: ─ Ô
4: ─ Risos
2: ─ Uma vez uma recepcionista lá do meu andar era tipo assim também, moreninha, raimunda. Os marmanjo velho tudo ficava dando em cima, tudo louco pra dar uma carcada nela.
3: ─ Hum
2: ─ Pô, tu não concorda? Vem com saia assim, tá bem que nem é tão curta, mas, já viu, né? Só mostrar um pouquinho de perna e ser tanajura pra rapaziada ficar com a vara acesa.

O elevador para no vigésimo andar porque alguém solicitou para subir também. Porém, ninguém adentra. Por um problema mecânico, o elevador demora mais para fechar suas portas em alguns andares.

2: ─ Daí eu, o quê, né? O mais inteirão da sessão, consegui arrastar ela prum hotel três semanas depois. Pena que conseguiu outra proposta de emprego, sei lá. De quatro ela era...

O elevador para no trigésimo andar, e a pessoa do discurso mais prolixo sai sem exatamente se despedir, cortada por uma gravação descrevendo esta informação. Era uma voz feminina com sotaque de português brasileiro paulista. A porta se fecha.

4: ─ Meio doente esse cara, né?
3: ─ Pois é, ó o andar, é da arrecadação. Lá tá cheio de gente assim
4: ─ É fogo... Pior que era bonitinho...
3: ─ É, bundinha boa
4: ─ Um queixo bonito, boca boa... Mas machão escroto
3: ─ Pior que nem achei ele tão hétero assim, sabia?
4: ─ Como assim?
3: ─ Pera

O elevador chegara no trigésimo quinto andar. Os dois saíram compartilhando a conversa a seguir, porém, não antes de observar se haviam muitas pessoas ao redor. Por se tratar de uma excepcionalidade de horários e coincidências terem chegado pouco depois das 8 da manhã, apenas a recepcionista, que pelo revezamento de turnos, neste dia, era uma pessoa confiável, estava presente no saguão de entrada.

3: ─ Então, nem achei tanto.Ouvi várias histórias aqui na empresa ultimamente...
4: ─ Orra, conta então!
3: ─ Melhor não, o que importa é que gente que fica tentando se afirmar demais assim, sei lá, sei não...
4: ─  É, se bobear esse aí ainda não achou a chave do armário... Mas que que você ouviu falar, criatura?
3: ─ Ah, um superintendente de não sei que setor foi visto por aí... Mas isso em si é tranquilo, né. O fogo é que tinha todo um esquema por trás dos panos... Enfim, galera de outra geração, sabe? Em vez de ficar de boa...
4: ─ E você fica aí sendo todo vago... Até a hora do almoço eu te arranco mais alguma coisa
3: ─ Tá bom, tá bom. Mas, pra mim, esses aí assim, não boto minha mão no fogo não. E mesmo se não for, não deixa de ser babaca. Se bobear ainda vaza umas histórias aí...
4: ─ É, se bobear...

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