Não se beija mais o amor com mesmas bocas
De cor, a sílaba aberta, a noite recita os versos guardanapos
Os braços cruzados aguardar um bonde velho
Ninguém mais anda o bonde por estas bandas e a noite é só
A noite e só
Poucas bandas andam e tocam pelas vielas do subúrbio
Amor de perdição, amor de reza e pecado
Há de passar, então, no ônibus já lotado
Direto do ponto
E há você, implorar, carona
Tropeçar, ralar, correr, atrás
Se perder de graça sem graça pela acuidade
Pela cidade perdida parida em seu ventre
Enfim pedir bater entrar pela porta de trás
O ponto
Final
Bem quando o tédio tinha em mãos passaporte
Viagem
Sua Nova Iorque, já passada e curta metragem curto
Sua Paris, dos retratos analógicos de jamais ser de novo
A vida inteira
De que estética beberia este amor moderno?
Que trem bala perdido cortaria o ar e o som das bocas que estalam
"Até logo"
Impaciência
Narizes a fungar os fungos nos bastidores de cada lágrima já secada
Pares e pares de íris cujo plural não há
Não há
Cuja cor castanha
Nos tempos de agora
De pressa e de cólera
Encara o vilipêndio do próprio espelho que a fita
Já tão poucos os lençóis
Tão poucas manchas de sangue
De virgindades metafóricas
Ou lenços, fronhas, papéis dobráveis
Pra aquecer a superfície encharcada
As Íris
Sós na quietude do bairro esquecido
Que fica por debaixo do cais do porto
Indiferentes suor que luz do dia transpira em si
Mas amor estende saudade
Sob mesmo chão que sol castiga
Que seus joelhos desconhecem
Mas mesmo amor faz artigos indefinidos se definirem
Apurar gramática, recitar Camões
O amor se renova em cólera
Perfura mais fundo o corpo fundo
Até, das profundezas, emergir o firmamento
E o amor reconhece, neste, velho estimado cartão postal
Deitado, estirado neste céu
Cujas estrelas...
Ah, as estrelas!
Cujas estrelas tem na nuca tatuado o seu nome.