Marcela tem uma testa gigante, cabelos ondulados e quer fazer medicina
Tinha um namorado dentuço, nerd, franzino e barbudo
Marcela faz sexo oral muito bem e tirou minha virgindade
Marcela é meio vesga mas se tornou ótima oftalmologista
Eu era seu namorado e agora nos noivamos
Casamos mês que vem
Estamos grávidos de gêmeos bivitelinos.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O Canto das Araras
Meu coração suburbano mal sabe que bairro cantar em canção,
Vindo de que capital minha voz mal vinda se achegou?
Que tempo divide minha garganta e tosse,
Que mal sabe se centro, zona norte ou zona sul;
Que tempo versa se essa peça não é sua, sangue mato-grossensse, paranaense e asa sul:
Candango sim, e de Brasília à Goiás, vim de camboio à Corumbá.
Meu avô índio, se banhou no Amazonas, e foi lá se apaixonar por minha avó que é Portuguesa
Família toda já de avião foi pra São Paulo ganhar a vida e coisa e tal;
Eu de metido inventei moda: dois Rios Grandes, resolvi e me aventurei,
E à pé mesmo desci e subi esse país, comendo brisa, bebendo mar.
Lá no Recife aprendi a pescar;
Em Salvador aprendi a sambar;
Com os Capixabas descobri à pôr o Sol;
Porto Alegre quem me ensinou a engatinhar;
Sem simbolismo, enfim de volta, fiquei no Rio mesmo, criando Araras,
Bem por acaso, me enamorei, fiquei, casei com uma francesa aqui de Férias.
Criando Araras num cativeiro clandestino,
Levava os bichos pra Ipanema, numas gaiolas, pra gringo ver,
Ganhava um troco e logo mais montei a minha casinha,
Meus três filhos tijucanos, cariocas, com sotaque,
Nossa casa, três quartos, sala, cozinha, vista pra Saens Peña,
Gostei porque lembrou minha infância em Santa Cecília,
O canto das Araras da janela infernizava os vizinhos,
Criar o bicho logo depois foi proibido, mas já estável, resolvi fazer outra coisa
Artesanato da patroa e o violão de porta em porta;
Fui lá levar minha batida bem treinada de Norte e Sul;
Toquei na Lapa, Copacabana, até me chamaram de volta pra São Paulo,
Onde toquei umas dez vezes;
Acontece que a patroa ficou famosa, vendeu bastante argila,
Que eu fiquei pela porta de casa mesmo cantando, casal artista.
Filhos criados, viraram todos arquitetos,
Talvez da mãe tanto brincar de desenhar e esculpir,
Aqui no hospital tá tudo bem, mandaram flores e uns postais,
O diagnóstico não é bom, mas tudo bem,
Quem vem,
Quem mem,
Esqueci,
Quem mais,
Quem vai:
E mês que vem vamos nós todos pra Dubai,
Antes que o mundo acabe,
Ver o prédio novo que meu filho velho construiu.
Meu coração pelicano mal sabe o mundo - quanto mais uma canção,
Vindo da capital minha voz bem vinda se perdeu e se encontrou,
Quem fim de quem que como que nasceu porquem aonde,
Que tempo divide o tempo que divide o verso que apaga o resto?
Quem rio ri o rio que morre de rir de riso tanto gozado,
Lembrei muito de minha mãe, filha de português com índio,
Me cantando dos braços quemvaiquemvemquerique bom dia:
Que verso versa se essa peça é carioca e mato-grossensse; Paranaense e Macapá?
Quem nasce no Macapá é o quê, minha mãe? - "É gente", ela respondia.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Na Sala de Star
Somos o mesmo silêncio
Cansado, quieto
Dando graças a deus que fim de semana
Exceto se a fome aperta
E se a barriga grita
O auto falante queimado e chiado
Do rádio velho
Se emudece
Imãs, portas de geladeira
Pizzarias
Telefones de sete dígitos
Foi o dia
Registra o choro, contudo
A internet, wi-fi e discada
Pedimos benção, por tudo
Micro-ondas, fast foods
Lojas de conveniência
Que fome é essa a que sinto?
Hoje tem futebol
Liga o Home Theater
Que venha o Domingo;
E quando as crianças da sala
Falam de Sexo
O silêncio também é estribilho
Ensaiado e concreto
Cansados, quietos
Quem beijar na boca por último é mulher do padre
Hoje à noite,
Papai e mamãe dormem de porta aberta
Estamos sem deus essa semana
Sem fome também.
Cansado, quieto
Dando graças a deus que fim de semana
Exceto se a fome aperta
E se a barriga grita
O auto falante queimado e chiado
Do rádio velho
Se emudece
Imãs, portas de geladeira
Pizzarias
Telefones de sete dígitos
Foi o dia
Registra o choro, contudo
A internet, wi-fi e discada
Pedimos benção, por tudo
Micro-ondas, fast foods
Lojas de conveniência
Que fome é essa a que sinto?
Hoje tem futebol
Liga o Home Theater
Que venha o Domingo;
E quando as crianças da sala
Falam de Sexo
O silêncio também é estribilho
Ensaiado e concreto
Cansados, quietos
Quem beijar na boca por último é mulher do padre
Hoje à noite,
Papai e mamãe dormem de porta aberta
Estamos sem deus essa semana
Sem fome também.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Batente
Segunda feira estatelada na próxima quadra
Segunda é o nome de batente de João, terceiro travesti a trabalhar naquela esquina
Ficou por dois porque o primeiro ninguém lembra
João atendeu o cliente errado e ninguém sabe dizer porque morreu
Ninguém viu morrer Prometeu
Prometido feriado estendido de semana que vem nunca veio
João viajaria para região dos Lagos
Sorrindo anoitecia mais rápido
Morrendo sem jeito por essas esquinas, Segunda
Já era Sábado.
Segunda é o nome de batente de João, terceiro travesti a trabalhar naquela esquina
Ficou por dois porque o primeiro ninguém lembra
João atendeu o cliente errado e ninguém sabe dizer porque morreu
Ninguém viu morrer Prometeu
Prometido feriado estendido de semana que vem nunca veio
João viajaria para região dos Lagos
Sorrindo anoitecia mais rápido
Morrendo sem jeito por essas esquinas, Segunda
Já era Sábado.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Os Besouros
Mal falamos a mesma lingua meu amor e eu. Eu vim da Patagônia, na Passárgada ela nasceu. Jesus nos leva nos braços, mas somos ambos ateus. O tempo é cretino e não passa por essas bandas. A fotofobia é amiga e saímos a noite. A rima é pouca e já acabou. A insonia que nos apressa e qualquer hora precisamos saber as horas. Meu por de sol azul e rosa nasceu na Transilvânia, e disse que o Drácula morreu de enfarto. Eu vivi a vida inteira na Amazônia e nunca vi besouro ao vivo. Mergulhamos na água mas a praia interditada. Chuva que vem matamos sede. Meu doce de caju e eu mal sabemos a cor do nosso nome. E quem sou eu pra perguntar a Deus. Língua que vem nos mato a sede. Seus dias são bala perdida. Mal falamos a mesma boca, seus lábios Tocantins, de sotaque de além mar aos meus trejeitos de francês paraguaio. Moramos sob um rio e peixe de café. Cidade pequena pra tanto tantos. O horizonte apertado no peito. Se vão os meus anos se apressando na frente. Os meus risos sem rio nem nado. A distância que cabe agora na palma da mão me pergunta: quando vamos nos ver assim de novo?
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