Contra o que estatela
o ponto final
o sinal fechado
e a cara feia estática
contra a plástica
e todo amor que é pré-fabricado
contra o que se fecha
se mais cadeado
se jaz baleado
se faz de flecha
e se atira
e mata
e quebra com a ponta dentro
Contra o que é do contra
me perde pela casa
contra a mordida que leva a orelha embora
só deixa o beijo que arde
e se arde
que arda mais.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Te
Queria ter te esquecido
quando a culpa, o cupido
picaram o meu coração
Queria te ter do meu lado
quando o futuro e o passado
me encravavam o dedão
Queria ter te querido
quando o verbo e o umbigo
me embaçavam o tesão
Queria te ter guardada
te ter saída ou cilada
te proteger ou perdão
Mas não me perdoo
Pois ter te ferido, querida
Ser te o abismo, prisão
Ser te a gaiola, o cuidado
Ser te eufemismo, o vão
Só deu em silêncio
E o silêncio não rima com nada.
quando a culpa, o cupido
picaram o meu coração
Queria te ter do meu lado
quando o futuro e o passado
me encravavam o dedão
Queria ter te querido
quando o verbo e o umbigo
me embaçavam o tesão
Queria te ter guardada
te ter saída ou cilada
te proteger ou perdão
Mas não me perdoo
Pois ter te ferido, querida
Ser te o abismo, prisão
Ser te a gaiola, o cuidado
Ser te eufemismo, o vão
Só deu em silêncio
E o silêncio não rima com nada.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Pois é.
Eu não assisto Televisão. Eu não ando de guarda chuva. Eu não conjugo a 1ª pessoa do plural. Eu não acredito em automóveis. Duvido da gravidade e da teoria da relatividade. Eu não levo fé na existência de romance, bromance: sequer sei o que é um lance. Não creio no vírus da Dengue. Duvido da previsão do tempo. Quando eu era pequeno cavei buracos pelo jardim do prédio inteiro atrás de fósseis. O síndico do prédio deu um esporro nos meus pais. Apanhei. Cresci e jamais vi um fóssil, ou mesmo osso sequer que não fosse da galinha ou da costela do boi. Não virei arqueólogo. Os dinossauros não existem.
Não há mais lixeiras na Presidente Vargas. Não há mais Inverno na cidade do Rio de Janeiro. A palavra "não" não foi desconsticionalizada da língua portuguesa. Não duvido do amor. Só não tenho paciência. Não acredito na Revolução. Nunca fui com a cara do Faustão. Nunca gostei de sorvete de passas ao rum. Nunca fiquei resfriado. A democracia representativa não me satisfaz. As cicatrizes pelos meus braços e pernas ganhas em partidas de futebol na infância não me satisfazem. A vontade agora minha de morrer asfixiado com gás de cozinha também não me satisfaz. Porque eu não virei arqueólogo. E os dinossauros não existem.
Não há mais lixeiras na Presidente Vargas. Não há mais Inverno na cidade do Rio de Janeiro. A palavra "não" não foi desconsticionalizada da língua portuguesa. Não duvido do amor. Só não tenho paciência. Não acredito na Revolução. Nunca fui com a cara do Faustão. Nunca gostei de sorvete de passas ao rum. Nunca fiquei resfriado. A democracia representativa não me satisfaz. As cicatrizes pelos meus braços e pernas ganhas em partidas de futebol na infância não me satisfazem. A vontade agora minha de morrer asfixiado com gás de cozinha também não me satisfaz. Porque eu não virei arqueólogo. E os dinossauros não existem.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Dois Astrônomos
─ Amanhã de manhã você vai me amar ainda?
─ Ainda vou te amar mesmo quando o universo observável principiar o processo inverso do Big Bang e toda vida, todas as estrelas, planetas; enfim, quando toda matéria, conhecida e não conhecida por nossa ciência, hoje presente passar a se concentrar novamente no espaço equivalente a uma bola de ping-pong
─ Mas não era equivalente ao buraco de uma agulha?
─ Não há consenso
─ E você sabe que o indício de que o universo irá iniciar o processo contrário do Big Bang é nulo, e que a hipótese mais provável é que em algum momento as galáxias e aglomerados irão se distanciar tanto entre si que sequer poderão mais exercer força de atração umas pelas outras; certo?
─ Hm...
─ E que passarão a vagar eternamente no nada
─ Que seja
─ Embora isso signifique que você irá me amar eternamente
─ Exatamente
─ Embora nossa vida, quando muito, irá durar apenas mais uns 75 anos
─ E se a medicina até lá inventar finalmente a fórmula da longevidade e estender a vida humana, ou mesmo fazer dela ilimitada?
─ Não teríamos dinheiro pra bancar isso, amor. Somos professores, ferrados, duros, com uma aposentadoria que vai ser desvalorizada ano após ano pelo INPS
─ Às vezes você sabe mesmo acabar com o clima
─ Ah, não fica assim, eu me contento com 75 anos de amor. Também me contentaria em me tornar uma partícula ínfima ocupando o mesmo buraco de agulha que você e todo resto de matéria do universo, em nível quântico. Seríamos dois átomos apaixonados
─ Já que o primeiro caso é o mais provável, melhor pararmos de fumar hoje mesmo
─ Amanhã.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Vida
Vida
vida, vida, que
me jurou que eu ia
ser quem eu quisesse
deu prato quente de comida
numa noite fria
me estendeu um agasalho
a manga era curta
me ensinou ortografia
tirou o acento das palavras
quando deu meio dia
me falou pra cuidar da saúde
(já estava no nono cigarro)
me recitava poesia
me lambia o ouvido
me mentia as horas
me explorava a mais valia
seu corpo que era macio
que cheirava pele e pelo
seu corpo me escondia
meu corpo duro e feio
marcado de amor
trabalho, receio
deitava e apodrecia
Vida
me promulgou Constituição
que não cumpria
me deu voz de prisão
sem anistia
ou dom da fala
eu que já jurara, antes, juras
por igrejas e outras vias
me engasguei com seus cabelos
com a ponta das tuas unhas
Vida, quem sabe um dia
te cheiro o corpo, cocaína
me arrancas a íris
e a noite vira companhia
me amanhece e gozo
e acordo
da epilepsia
urgente, por fim, carinho
e antes que me mate, vida:
alegria.
vida, vida, que
me jurou que eu ia
ser quem eu quisesse
deu prato quente de comida
numa noite fria
me estendeu um agasalho
a manga era curta
me ensinou ortografia
tirou o acento das palavras
quando deu meio dia
me falou pra cuidar da saúde
(já estava no nono cigarro)
me recitava poesia
me lambia o ouvido
me mentia as horas
me explorava a mais valia
seu corpo que era macio
que cheirava pele e pelo
seu corpo me escondia
meu corpo duro e feio
marcado de amor
trabalho, receio
deitava e apodrecia
Vida
me promulgou Constituição
que não cumpria
me deu voz de prisão
sem anistia
ou dom da fala
eu que já jurara, antes, juras
por igrejas e outras vias
me engasguei com seus cabelos
com a ponta das tuas unhas
Vida, quem sabe um dia
te cheiro o corpo, cocaína
me arrancas a íris
e a noite vira companhia
me amanhece e gozo
e acordo
da epilepsia
urgente, por fim, carinho
e antes que me mate, vida:
alegria.
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