domingo, 18 de dezembro de 2011

Trégua

Preciso desaparecer num rastro de pressa e deixar em branco o desespero que eu tracei com giz e régua no verso do cheiro que ficou pra trás e que por estar tão mais lá do que aqui é beijo que não se beija mais.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Siamês

No meio do caminho havia,
um gato de óculos,
sem botas,
siamês,
nato,
cão,
grato,
ronronando em vírgulas:
o gato de óculos sorria,
estendido na entrada do brechó,
mas a doçura do seu riso era tímida e não se atrevia a cortar o riso alheio que mal se deixava ver no espelho porque essa gente aguada e rala água tanto o próprio doce que se acumula naturalmente ao lado esquerdo da boca e já sorri tão pouco o fim do mundo que tampouco que esse tipo se permitiria sair de casa neste verão sem seus guarda-chuvas abertos em pleno sol.

E imagina só, se esse povo descontente ficasse aqui, deitado no meio do chão azul de azulejo fresco, esperando a vida passar em plena terça feira? Imagina só se essa vida passa assim, criminosa, impune, sem doer? Imagina que desespero que ia ser.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Blue Whale

Toda pressa existe
Em cada canto apressado que diz que não
Os beijos assimétricos
A declaração de amor
Compartilhada em códigos binários
Como foi seu dia ontem?
De onde veio essa ressaca?
Queria ser azul
Como azul é sua nova calça jeans
Como azuis são as baleias azuis
Quando a maré não tá pra sangue
Queria ter a vontade
Queria ter vontade de dizer logo a verdade
Esse mundo que não acaba di'uma vez
O desespero de chegar logo em casa
E abraçar a saudade com um braço só.