quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ménage à Trois

Passe me a pá, por favor, meu amor
Hoje à noite a gente janta no quintal
A vingança nunca é plena: envenena
Que música vai tocar no nosso funeral?

E agora, que tal um par de algemas?
Ele sempre adorou esse travesseiro
Não deve ter mais ninguém em casa
Então hoje que você voltava cedo?

Esta é a minha amiga da academia
Vai, vai, fica por baixo, meu tesão
Ju, vai, uma massagem, eu tô tensa
Tenho uma surpresa: escolhe a mão

Bem como já dizia Seu Madruga
Eu preciso te dizer uma coisa
Uma hora ele diz que me quer morta
Outra que me ama: preciso de ajuda

Pois é, agora morreu de vez, esse puto
Não grite, por favor, já tá quase no final
Júlia, me passa de uma vez essa pá
Que música 'cê quer ouvir no teu funeral?

domingo, 22 de agosto de 2010

Umbigo

Não seja doce
Seja adoçante
Doçura engorda
E mata

Não seja marido
Seja o amante
Casar enforca
E mata

Não seja Cachaça
Seja espumante
Ser chique arrasa
E mata

Não seja o cupido
Só a flecha adiante
Machucar conforta
E mata

Não seja a saudade
Mas seja a balada
Pernoitar transforma
E mata

Não seja tempestade
Mas casa arrancada
Destruir-se vigora
E mata

Mande e desmande
Sua comandante
Pois ter poder sufoca
E mata
E eu quero te ver morta.

Quanto Falta?

A poça de sangue escuro no canto da boca
o beijo apressado que beija um pouco assim
automático, como quem liga a tv de manhã

a minha senhora, o telefone que novamente toca
o recado decorado pra sempre na secretária
eletrônica, e a vontade de fumar já foi tão louc...

a saudade que bem agora você tem até demais
a mão que ainda segura a mão que já se foi
o medo de escuro que você jurava que jamais

as ambulâncias, o cheiro de fumaça, o gato
entrando em casa, a namorada, a menina, o oi
que você ouve cair no seu colo lá do teto
como uma barata

a poça de sangue escuro de férias no olhar
dela, a vontade de jogar Super Nintendo
pra finalmente chegarmos no lugar
a fobia de perguntar de novo quanto falta
o telefonema que se engana, a blusa, o remendo
tudo isso faz me falta quando eu me envelheço
e tanto faz, agora, o que realmente me salta
aos olhos, se o passado relembra me o endereço.

-

Bonus: Single Edit (rsrs)

A poça de sangue escuro no canto da boca
o beijo apressado que beija um pouco assim
como quem liga a tv de manhã

a minha senhora, o telefone que novamente toca
o recado decorado pra sempre na secretária
e a vontade de fumar já foi tão louc...

a saudade que bem agora você tem até demais
a mão que ainda segura a mão que já se foi
o medo de escuro que você jurava que jamais

as ambulâncias, o cheiro de fumaça, o gato
entrando em casa, a namorada, a menina, o oi
que você ouve cair no seu colo lá do teto
como uma barata

a poça de sangue escuro de férias no olhar
dela, a vontade de jogar Super Nintendo
...pra finalmente chegarmos no lugar
a fobia de perguntar de novo quanto falta
tudo isso me faz falta.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cantiga da Nina

"You will sing a pretty song to me, darling
a nice pretty song
I'll take back all of your tips, and I'll lay down in the bottom of your lips
And rest under your boobs... I mean your sheets, Oh...
Won't you sing a pretty song for me, darling?
Sing it for me and I'll know how
you used to be
in my dreams
The day after tomorrow
I'll know how
you used to be
for me."

Ei, você
me diz que são
belos os dias de janeiro
e férias, e belos os dias
que debaixo da cama a sua vida espreita
e belos os dias que debaixo da cama
seus demônios espreitam
...e belos os dias
sua cafonice espreita
e a bola que caía na casa do vizinho
e, em mi bemol, você
nem queria ser jogador de futebol

Ei, você
me diz que horas são
o final do dia é o corpo cansado
é hora de dormir
ou assistir um filme no Corujão
de estética retrô e você vê
meu corpo cair no chão
em preto branco na TV
e meu corpo cai no seu colo
e quer dormir
meu corpo cai no seu colo
e quer dormir
meu corpo cai no seu colo
e quer dormir
"...you used to be
in my dreams
that's how you used to be."

Trate de descansar
e de não cansar de viver não
porque a vida cansa por si só
em cada pedaço de bolo caído no chão
cada caracol esmagado na palma da mão
em cada vez que você se diz não
em cada livro de auto-ajuda
que acho em liquidação
minhas paredes decoram esta canção
pro céu, os meus amores
talvez talvez talvez vão.

Single Edit (Rsrsrsrsr):

Ei, você
me diz que são
belos os dias em janeiro
de férias, e belos os dias
que debaixo da cama a sua vida espreita
e belos os dias que debaixo da cama
seus demônios espreitavam
bem quando
ser cafona era legal
e a bola que caíndo na casa do vizinho
e, em mi bemol, você
nem queria tanto ser jogador de futebol



Ei, você
me diz que horas são
é final de dia é o corpo cansado
é hora de dormir
ou assistir um filme no Corujão
de estética retrô e você vê
meu corpo cair no chão
em preto branco na TV
e meu corpo cai no seu colo
e quer dormir
meu corpo cai no seu colo
e quer dormir
meu corpo cai...
e quer dormir
"...you used to be
in my dreams
that's how you used to be."

Trate de descansar
e de não cansar de viver não
porque a vida cansa por si só
em cada pedaço de bolo caído no chão
cada caracol esmagado na palma da mão
em cada vez que você se diz não
em cada livro de auto-ajuda
que acho em liquidação
minhas paredes decoram esta canção
pro céu, os meus amores
talvez talvez talvez vão.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Natalie, Hello

"Eu preciso de um nome"
Natalie disse pra si
A bateria do Ipod acabou
A próxima estação do metrô é a nossa
"Consolação"
É a nossa, vamos levantar

Na próxima sexta eu juro que fico em casa

A próxima tarde o encontro marcado
O nome escolhido, a porta entreaberta
A vida empurra o ventre e o elevador
A bolsa estourou

Natalie voltou ante-ontem do hospital
A tarde já esteve mais quente
O trânsito já teve mais carros
Na última sexta nós duas ficamos em casa.

domingo, 1 de agosto de 2010

Sem Peso

Sem barco pra afundar
Sem mão pra desatar
Sem beijo pra enxugar
Sem sonho pra comprar
Sem juventude pra gastar
Sem sinal pra furar
Sem fome pra saciar
Sem pedestre pra atropelar
Sem candidato pra votar
Sem falta pra cobrar
Sem coração pra remendar
Sem mocidade pra dar
Por falta

Clichê
Sem estresse
Uma balada dessas
De MPB
Que você ouve no Rádio
No meio da madruga
Voltando pra casa