Eu não sou eu
E nem você
É você
Ou eu
Como também não posso ser
Você
A não ser
Você
Embora você
Não seja
Quão tanto
Sermos como
Verso afo-
bado,
Que se mal
começa estar
Se termina abaixo
N'ou-
tro,
Vertical
Porque dá tontura
Esperar
Eu não sou eu, criatura!
Ninguém é ninguém
Não me olhe com essa cara de soluço
Que susto te cura, se distraia
Que conforme a filosofia
Seja o que não for
Você e sua filha,
O quinhão da dor,
Joana e Maria,
Meu anjo empoeirado e eu,
Estamos neste buraco de agulha todas as noites,
BUUUU-RRGHRROOOOOO, todos os dias.
sábado, 31 de maio de 2014
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Dois Post-Its
Meu calo afobado
Esse Sol, maiúsculo,
saindo pelos seus vãos dos dentes:
Mal cabem meus pés todo chão do mundo
Só sobra no seu riso esse céu inteiro.
Esse Sol, maiúsculo,
saindo pelos seus vãos dos dentes:
Mal cabem meus pés todo chão do mundo
Só sobra no seu riso esse céu inteiro.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
"R.E.M ─ Losing My Religion"
Depois de alguma coisa dos Beatles, esta é a melhor música batida de todos os tempos. Pela estrutura esquizofrênica, sem refrão onde era pra ter. Pela melodia absurda, convenhamos, e não só da voz, olha esse bandolim, essa linha de baixo, o arranjo de cordas! Pela letra sobre obsessão, derrotismo, auto-afirmação, empoderamento?... é tudo ao mesmo tempo. Protagonista dos melhores momentos que a Rádio Cidade me deu, indo para escola, ouvindo aqueles programas voltados pra nostalgia de manhã (isso foi em algum momento dos anos 2000, não sou tão velho assim). Às vezes acho que virei ateu por causa dessa música, embora ela provavelmente não se refira a isso literalmente. Apropriação simbólica. Quem nunca se ficou suspirando esse primeiro verso? Eu até já me peguei, bêbado, recitando ele e a letra inteira pra mostrar que sabia pra alguma garota e depois descobrir que estou, na verdade, sendo expulso da pista do Teatro Odisseia por um segurança (só podia fumar lá nos fundos). Todo mundo já cantou errado e sem querer "that's me in the corner!!11", na segunda estrofe, quando é pra entrar "consider this:" Dois pontos: CON-SI-DER THIS! Mas foda-se, né? Larga de ser velho, Vinicius. Auto-importante. Já tá falando demais, era só pra postar a música, vai, clica em publicar. Isso. Oh, life... is bigger..
terça-feira, 27 de maio de 2014
Godofredo
A menina voltou pra casa com o braço esquerdo todo embolotado. Quando a mãe perguntou que que aconteceu ela respondeu "foi umas abelhas, hoje cedo". Quando a mãe perguntou porque ela não correu ela falou "pra me perder de vez o medo". Quando a mãe perguntou porque só o braço esquerdo ela falou "pra proteger o Godofredo". Quando a mãe perguntou o porquê daquelas rimas ela falou "é um poema, mas, xiu, segredo." Aliás, a mãe nunca soube desse o último verso: " Que Godofredo? O dinossauro de brinquedo!"
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Sublimação
O abraço veio quebrado
O Sol com defeito
O beijo enferrujado
A palavra sem conserto
O dedo gaguejava
A prosa em soneto.
Até a amizade venceu a validade
A noite, mal água e cloro, desbotou
A mentira de verdade, de mentir passou da idade
Se trocou de estrela
Se tomou as luzes
Se tornou calor.
Descobriu amassado no bolso de trás da calça o coração
Lavou e esticou, seu amor, no varal
Pra secar
Passarinho amarelo na corda sorriu e pousou: passado não
Cantou, se esticou, tão leve e tal qual
Seu dedo anelar.
O Sol com defeito
O beijo enferrujado
A palavra sem conserto
O dedo gaguejava
A prosa em soneto.
Até a amizade venceu a validade
A noite, mal água e cloro, desbotou
A mentira de verdade, de mentir passou da idade
Se trocou de estrela
Se tomou as luzes
Se tornou calor.
Descobriu amassado no bolso de trás da calça o coração
Lavou e esticou, seu amor, no varal
Pra secar
Passarinho amarelo na corda sorriu e pousou: passado não
Cantou, se esticou, tão leve e tal qual
Seu dedo anelar.
domingo, 25 de maio de 2014
Making Noise
Desesperad-
Com um pedaço da minha voz na mão
Com um pedaço da calçada no bolso
Jogando o conforto das Casas
À palavra quente
Das Ruas
Censurada-
Pelo silêncio isento
Que não faz coro
Que não fica rouco
Que não aplaude
Que não incomoda os vizinhos
Que não geme nem goza
Com sua asa enclausurada
Redundante e emudecida
Com a verdade acossada,
Se calada, consentida
Cavalgadas
Aos pés descalços
Com um pedaço do chão no rosto
Com o caminho escorrendo às vistas:
"Cala boca já morreu
Ninguém manda na minha boca
Nem Deus."
Com um pedaço da minha voz na mão
Com um pedaço da calçada no bolso
Jogando o conforto das Casas
À palavra quente
Das Ruas
Censurada-
Pelo silêncio isento
Que não faz coro
Que não fica rouco
Que não aplaude
Que não incomoda os vizinhos
Que não geme nem goza
Com sua asa enclausurada
Redundante e emudecida
Com a verdade acossada,
Se calada, consentida
Cavalgadas
Aos pés descalços
Com um pedaço do chão no rosto
Com o caminho escorrendo às vistas:
"Cala boca já morreu
Ninguém manda na minha boca
Nem Deus."
sábado, 24 de maio de 2014
Conselho
Pai barbeiro, ex-caminhoneiro, ex-açougueiro, ex-matador, ex-volante da seleção de Sampaio Corrêa (distrito de Saquarema), ex-conferente de jogo do bicho, canceriano convicto, aconselhando seu filho:
─ A melhor boceta do mundo é a da mulher que a gente ama, Jonas.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Piano
"O piano está desafinado, liga de novo pro Luciano." Já era a quarta vez que eu dizia que não via problema algum no instrumento, estatelado no meio da sala daquela casa em Laranjeiras onde íamos toda Páscoa, Natal. "Cobrou uma nota pra fazer um serviço de merda, esse salafrário precisa tomar na cara. Ah, se eu fosse uns 15 anos mais novo quebrava ele todo, esse corno." E eu repetindo que talvez a culpa não fosse do tal do Luciano, porque, afinal, segundo o que a minha avó havia dito mais cedo naquele mesmo dia, foram testadas todas as teclas e respectivas notas antes de ter sacramentado conclusa empreitada. Salientou ela também que meu próprio avô havia ouvido, concordado com o veredicto e parabenizado o profissional no momento dado. Talvez o piano estivesse com algum defeito, argumentei. "O ouvido da sua avó é uma merda, ela não pode dizer isso com garantia nenhuma, e eu estava distraído por ter discutido com seu pai mais cedo, outro corno, devia ter insistido pra esse tal Luciano rever todas as escalas, sei lá, a coisa toda. Esses profissionais que são afobados hoje em dia, querem se ver logo livres do serviço e é impossível esse piano estar com algum defeito, ele voltou da restauração impecável! Esse lugar é de tradição, na família, digo, desde seu bisavô, o responsável por essa luthieria era amigo íntimo, reza lenda que até romance tiveram. Digo, nossas famílias tem relação antiga, raio, sei lá se meu pai era macho, só posso falar por mim, porra." Antes que eu pudesse aproveitar qualquer segundo daquele silêncio constrangedor para ir até a cozinha ele continuou: "Sabe? Quer saber? Fico me perguntando agora se valeu a pena essa grana toda, o tal do investimento, afinal, esse piano vai ficar pra você, e você não senta pra tocar, o quê, desde quando?" Explicaria, como havia explicado outras "n" vezes, sobre o concurso, o mestrado, o tempo, a clínica de reabilitação, que eu precisava, com calma, sem pressão, voltar à forma antiga, se é que conseguiria, pois destes detalhes nunca se pode ter a previsão exata. Mas, como de costume, não pude seguir muito adiante nem metade deste argumento antes de ser cortado novamente: "Pega o raio do telefone, vou falar umas verdades pra esse afinador de araque."
No caminho do quarto, para localizar o número, anotado tradicionalmente em sua agenda, pela porta entreaberta da varanda encontraria minha avó deitada na rede, olhando pro alto. Nunca sabia quando ela estava dormindo ou se morrera de vez, e a rede pairava sem balançar. Minha naturalidade de navegar entre uma possibilidade ou outra nunca me surpreendeu, tamanha quantidade de situações de morte e quase morte na família que marcaram minha infância. Voltando com o sem fio nas mãos e o número anotado em um papel, chego por trás de meu avô, este sentado tocando algo entre os primeiros compassos do primeiro movimento do primeiro concerto para piano e orquestra de Tchaikovsky, peça que tantas sovas me rendeu no passado para aprender. Dizia o velho, sem me notar, consigo mesmo: "não é que esta porra está afinada?"
No caminho do quarto, para localizar o número, anotado tradicionalmente em sua agenda, pela porta entreaberta da varanda encontraria minha avó deitada na rede, olhando pro alto. Nunca sabia quando ela estava dormindo ou se morrera de vez, e a rede pairava sem balançar. Minha naturalidade de navegar entre uma possibilidade ou outra nunca me surpreendeu, tamanha quantidade de situações de morte e quase morte na família que marcaram minha infância. Voltando com o sem fio nas mãos e o número anotado em um papel, chego por trás de meu avô, este sentado tocando algo entre os primeiros compassos do primeiro movimento do primeiro concerto para piano e orquestra de Tchaikovsky, peça que tantas sovas me rendeu no passado para aprender. Dizia o velho, sem me notar, consigo mesmo: "não é que esta porra está afinada?"
domingo, 11 de maio de 2014
Segundo Domingo do Mês de Maio
Já faz cinco anos e o que mais me irrita até hoje é que você não vai estar aqui pra ver o quanto eu me tornei melhor, que aprendi a atravessar a rua sem passar por meio dos carros, que perdi o medo de pegar crianças no colo, que você não vai pegar as minhas crias no seu, que aprendi a cantar ao invés de berrar, que aprendi a gritar ao invés de calar, que é a sua receita de arroz que eu uso, que são as suas mesmas frases que eu uso quando xingo, choro, quando algo me faz falta, quando deixo um recado pra outro alguém que também amo. Que você que me ensinou não apenas a prestar atenção no que as pessoas tem a dizer, mas a respeitar o seu silêncio. Sério, isso é uma das coisas mais úteis da vida, e quase ninguém sabe que isso não precisa ser sinônimo de indiferença. No mais, ainda uso palavras que você me ensinou como "jurupoca", "birinaite", "breguete", e que volta a meia tenho que explicar pra outras pessoas do que se tratam. Mas eu insisto em usar porque sim. Herdei também de você a mania de beliscar e morder quase tudo que se move, de dar bom dia/boa noite/boa madrugada. Mas me irrita você não estar aqui pra ver que eu aprendi, finalmente, a abraçar, pois queria uma avaliação derradeira! Que aprendi a querer a esperança de óculos e a ser seu "filho de cuca legal".
Você não vai estar aqui pra me ouvir dizer essas coisas mas vai estar em mim, mãe, e em cada palavra que eu ainda:
─ Disser (eu ainda falo rápido pra cacete, e também ainda falo muito palavrão, como você pôde perceber!);
─ Escrever (com meu garrancho que só piorou, maldito curso de japonês, desculpa!);
─ Ou pensar (tipo agora).
Nisso tudo você vai estar, mesmo que eu esteja apenas descrevendo uma receita de bolo, amaldiçoando uma quina de um móvel que resolveu se estabacar no meu dedo mindinho, me declarando discretamente para alguém que mereça, ou reclamando do preço de tudo nessa cidade (não sei se a notícia chegou aí no céu, mas, ó: não vai ter Copa!). Bem, o bom do olhar de mãe é que ele geralmente é mais generoso que a realidade, e você nem vai se importar que nada disso aqui faz jus à você de verdade.
Errata: provavelmente nunca vou conseguir reler este isso porque não sou, nem de perto, tão nobre quanto você pra me perdoar.
Você não vai estar aqui pra me ouvir dizer essas coisas mas vai estar em mim, mãe, e em cada palavra que eu ainda:
─ Disser (eu ainda falo rápido pra cacete, e também ainda falo muito palavrão, como você pôde perceber!);
─ Escrever (com meu garrancho que só piorou, maldito curso de japonês, desculpa!);
─ Ou pensar (tipo agora).
Nisso tudo você vai estar, mesmo que eu esteja apenas descrevendo uma receita de bolo, amaldiçoando uma quina de um móvel que resolveu se estabacar no meu dedo mindinho, me declarando discretamente para alguém que mereça, ou reclamando do preço de tudo nessa cidade (não sei se a notícia chegou aí no céu, mas, ó: não vai ter Copa!). Bem, o bom do olhar de mãe é que ele geralmente é mais generoso que a realidade, e você nem vai se importar que nada disso aqui faz jus à você de verdade.
Errata: provavelmente nunca vou conseguir reler este isso porque não sou, nem de perto, tão nobre quanto você pra me perdoar.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Monólogo em Areia e Dedo: Oito
Um: Ah, suas crises de asma e tosse. Sua porta fechada: o seu
jeito de sentir saudade. Os lençóis molhados que eu nunca vou te ver
trocar. O espelho embaçado pela água quente e grafitado pela ponta de seus dedos
com palavras que nem desconfio. O tapete de seu quarto, a poeira, as roupas íntimas que eu te dei. A Voz do Brasil, anunciada a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, a intervenção estadunidense, algum conflito no Oriente Médio, e a sua cara de susto. O cheiro de gás vazando. A chaleira que ferveu e apagou o fogo aceso. A cama esperando você voltar. Suas crises de ansiedade e a sua pressa de fazer amor antes da janta.
Dois: A distância que separa um lado da calçada do outro. Entre a parte de cima e a de baixo da boca enquanto aberta em um bocejo. Entre este cinzeiro e o antigo planeta Plutão. Entre o cabelo que cai e o chão que o ampara. Entre os dois olhos seus, entre si, e os dois olhos meus, entre os seus. Entre o tapa e a cara. O cheiro de pólvora vindo da rua debaixo. A tampa do vaso aberta, a tampa fechada. Sob a escala subatômica: oceanos de distância entre dois pontos deitados mesma cama.
Três: Todos os dentes que já caíram e os que cairão. As espinhas que não vão mais brotar, e as já secas, na testa, cicatrizes. O preto desbotado da tatuagem, o Sol. A afta, a agulha na língua. O membro amputado, as maçãs do rosto mordidas, a batata da perna brotando da Terra. As doenças que dão nos nossos ossos cujo nome esqueço. O joelho com estilhaço de vidro enterrado. A gente ainda viva levando fracassos pro túmulo.
Quatro: O palco vazio. A menina dos olhos dançando valsa. O passo de dança, os pés sob os pés sob os pés que marcam as horas. O choro, o maxixe, a flauta transversa, violão e cavaco, enquanto um cheiro de café queimado vem vindo de uma janela entreaberta em Vila Isabel nalgum dia no início do século passado. A madrugada, os postes da Light apagados, o posto de saúde fechado, o pau, a pedra, o fim do caminho, uma agência bancária depredada sob a bruma e o luar, a boca fechada pra não machucar, o rosto fechado pra não perdoar, o pulso pulsando pro coração não parar.
Seis: Ah, seu joelho ralado, o esconderijo óbvio de dentro do armário. O dedo indicador apontando a mentira, duas ruas à frente, diferenciando Vênus do Cruzeiro do Sul. A garoa apertando, a garganta roçando. O quinto dia útil do mês. As férias, a semana que vem. As comunidades Ribeirinhas, a rosa de Hiroshima, as crianças mudas, telepáticas. O grampo no achados e perdidos de seu cabelo, o Girassol. As suas remelas que eu limpei. O Comício da Central em '64, seu cheiro de banho tomado, o samba no boteco ao lado, as rimas, o medo de golpe de Estado. O desejo de trocar de cidade. O telefone tocando até cair, o seu jeito de sentir saudade.
Cinco:
O suor secando no varal, o varal pegando resfriado embaixo da chuva. Os
calos nos dedos de tentar entender o seu corpo, e o meu. Uma boca secando sem a
outra. O ano passado que mal parece mas faz seis meses. O dióxido de
carbono destruindo o pulmão e o planeta na televisão. Nas calotas
geladas, o estado de fusão, os microrganismos, os esquimós, ursos polares morrendo de sono.
A sua tia morrendo de câncer. O dente do siso anestesiado matando em
silêncio a gengiva. Aquele prédio que desabou no Centro da cidade mas
ninguém morreu. O carro que furou o sinal fechado, o berro do corpo
atropelado, desafinado. A unha encravada herdada dos avós, a sensação de morte quando cortam a energia elétrica, o medo que a sua casa dá quando falta luz. A carta borrada de suor ou de
lágrima, não lembro. A marca de bala no portão lá da frente. A formiga
afogada no açúcar da pia. A estrela cadente esquentando seu colo. O
cinema vazio aumentando seu frio. O tempo que leva pros rios banharem
nossas calçadas.
Seis: Ah, seu joelho ralado, o esconderijo óbvio de dentro do armário. O dedo indicador apontando a mentira, duas ruas à frente, diferenciando Vênus do Cruzeiro do Sul. A garoa apertando, a garganta roçando. O quinto dia útil do mês. As férias, a semana que vem. As comunidades Ribeirinhas, a rosa de Hiroshima, as crianças mudas, telepáticas. O grampo no achados e perdidos de seu cabelo, o Girassol. As suas remelas que eu limpei. O Comício da Central em '64, seu cheiro de banho tomado, o samba no boteco ao lado, as rimas, o medo de golpe de Estado. O desejo de trocar de cidade. O telefone tocando até cair, o seu jeito de sentir saudade.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Grafite Nº 03
Um dia desses
Contra a sua vontade
De susto
Acidentalmente
Numa noite, ou tarde qualquer
No escritório, em casa
Dentro do ônibus
No bistrô da faculdade
Ou na biblioteca
Veja bem
Nesse dia
Como traição
De Sagitário com Escorpião
Alguém vai contar pra alguém
Quem realmente é: Você.
Assim. Simplesmente. Abre aspas, "Onde? Mas? Como? Quem?" Ouça bem, só lhe aconselharei uma vez sobre essa pessoa, que dirá, friamente, sem prolificidade, a Verdade.
Pois,
Esse alguém será:
Você,
Com um Enter afobado
E um Ctrl+V.
Contra a sua vontade
De susto
Acidentalmente
Numa noite, ou tarde qualquer
No escritório, em casa
Dentro do ônibus
No bistrô da faculdade
Ou na biblioteca
Veja bem
Nesse dia
Como traição
De Sagitário com Escorpião
Alguém vai contar pra alguém
Quem realmente é: Você.
Assim. Simplesmente. Abre aspas, "Onde? Mas? Como? Quem?" Ouça bem, só lhe aconselharei uma vez sobre essa pessoa, que dirá, friamente, sem prolificidade, a Verdade.
Pois,
Esse alguém será:
Você,
Com um Enter afobado
E um Ctrl+V.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Monólogo em Areia e Dedo: Nove
Meu compromisso é com o concreto
Não aos barracos de madeira nas beiras dos rios, encostas
Às esteiras de palha, cujas farpas, nos dedos
Trabalho com o cimentado, o que dá viga, pontes
Que brota estacionamento, que forma calçada
Firmeza
Que floresce o asfalto
(As Ilhas de Calor)
É a isso que me proponho, ao progresso, ordenado
Que floresce o asfalto
(As Ilhas de Calor)
É a isso que me proponho, ao progresso, ordenado
Em um dia de bom humor defendo mais faixas de pedestres
Em detrimento de mais passarelas, de mais vias expressas
Em detrimento de mais passarelas, de mais vias expressas
Se um anjo liberal e ecológico passar e me por a mão no ombro
Até tolero pistas para ciclistas pela cidade
E o aumento de áreas sob proteção ambiental
Desde que adequadamente subsidiadas
Por quem tem que ser
E o aumento de áreas sob proteção ambiental
Desde que adequadamente subsidiadas
Por quem tem que ser
Mas até lá,
Com todo (pouco) respeito:
Com todo (pouco) respeito:
Não me venham com ramalhetes de flores, jardins, canteiros, mariposas, caramujos, formigueiros, animais domésticos de qualquer porte; girassóis, samambaias, pés de jaca, coqueiros, sementes de chia, gergelim, chás de erva-cidreira, camomila, incensos; afastem de mim sua medicina natural ou homeopática, a sua meditação, os templos de Yoga, seus acampamentos, fogueiras, cachoeiras, trilhas na serra, viagens para o interior do estado no feriado.
Não me venham sustentáveis demais que de verde sequer levo a cor dos olhos
Ou as veias (azuis)
Ou as veias (azuis)
(Que bom que não se fazem mais as notas de um Real.)
Semana retrasada escrevi uns versinhos
Que nada devem aos nossos tais
Poetas modernos:
Semana retrasada escrevi uns versinhos
Que nada devem aos nossos tais
Poetas modernos:
"A gentrificação
A cicatriz no horizonte feito
Os arranha-céus
A fenda coberta no chão
O concreto cuja poeira, os tolos, cisca
A vista (aos véus)
D'As grandes capitais
Cada dia mais cinzas.
A cicatriz no horizonte feito
Os arranha-céus
A fenda coberta no chão
O concreto cuja poeira, os tolos, cisca
A vista (aos véus)
D'As grandes capitais
Cada dia mais cinzas.
Eu piso na grama.
Garagens me caem melhor que quintais."
Garagens me caem melhor que quintais."
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