sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Siamês

No meio do caminho havia,
um gato de óculos,
sem botas,
siamês,
nato,
cão,
grato,
ronronando em vírgulas:
o gato de óculos sorria,
estendido na entrada do brechó,
mas a doçura do seu riso era tímida e não se atrevia a cortar o riso alheio que mal se deixava ver no espelho porque essa gente aguada e rala água tanto o próprio doce que se acumula naturalmente ao lado esquerdo da boca e já sorri tão pouco o fim do mundo que tampouco que esse tipo se permitiria sair de casa neste verão sem seus guarda-chuvas abertos em pleno sol.

E imagina só, se esse povo descontente ficasse aqui, deitado no meio do chão azul de azulejo fresco, esperando a vida passar em plena terça feira? Imagina só se essa vida passa assim, criminosa, impune, sem doer? Imagina que desespero que ia ser.

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