Vida
vida, vida, que
me jurou que eu ia
ser quem eu quisesse
deu prato quente de comida
numa noite fria
me estendeu um agasalho
a manga era curta
me ensinou ortografia
tirou o acento das palavras
quando deu meio dia
me falou pra cuidar da saúde
(já estava no nono cigarro)
me recitava poesia
me lambia o ouvido
me mentia as horas
me explorava a mais valia
seu corpo que era macio
que cheirava pele e pelo
seu corpo me escondia
meu corpo duro e feio
marcado de amor
trabalho, receio
deitava e apodrecia
Vida
me promulgou Constituição
que não cumpria
me deu voz de prisão
sem anistia
ou dom da fala
eu que já jurara, antes, juras
por igrejas e outras vias
me engasguei com seus cabelos
com a ponta das tuas unhas
Vida, quem sabe um dia
te cheiro o corpo, cocaína
me arrancas a íris
e a noite vira companhia
me amanhece e gozo
e acordo
da epilepsia
urgente, por fim, carinho
e antes que me mate, vida:
alegria.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário