─ Ainda vou te amar mesmo quando o universo observável principiar o processo inverso do Big Bang e toda vida, todas as estrelas, planetas; enfim, quando toda matéria, conhecida e não conhecida por nossa ciência, hoje presente passar a se concentrar novamente no espaço equivalente a uma bola de ping-pong
─ Mas não era equivalente ao buraco de uma agulha?
─ Não há consenso
─ E você sabe que o indício de que o universo irá iniciar o processo contrário do Big Bang é nulo, e que a hipótese mais provável é que em algum momento as galáxias e aglomerados irão se distanciar tanto entre si que sequer poderão mais exercer força de atração umas pelas outras; certo?
─ Hm...
─ E que passarão a vagar eternamente no nada
─ Que seja
─ Embora isso signifique que você irá me amar eternamente
─ Exatamente
─ Embora nossa vida, quando muito, irá durar apenas mais uns 75 anos
─ E se a medicina até lá inventar finalmente a fórmula da longevidade e estender a vida humana, ou mesmo fazer dela ilimitada?
─ Não teríamos dinheiro pra bancar isso, amor. Somos professores, ferrados, duros, com uma aposentadoria que vai ser desvalorizada ano após ano pelo INPS
─ Às vezes você sabe mesmo acabar com o clima
─ Ah, não fica assim, eu me contento com 75 anos de amor. Também me contentaria em me tornar uma partícula ínfima ocupando o mesmo buraco de agulha que você e todo resto de matéria do universo, em nível quântico. Seríamos dois átomos apaixonados
─ Já que o primeiro caso é o mais provável, melhor pararmos de fumar hoje mesmo
─ Amanhã.

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