Eu não assisto Televisão. Eu não ando de guarda chuva. Eu não conjugo a 1ª pessoa do plural. Eu não acredito em automóveis. Duvido da gravidade e da teoria da relatividade. Eu não levo fé na existência de romance, bromance: sequer sei o que é um lance. Não creio no vírus da Dengue. Duvido da previsão do tempo. Quando eu era pequeno cavei buracos pelo jardim do prédio inteiro atrás de fósseis. O síndico do prédio deu um esporro nos meus pais. Apanhei. Cresci e jamais vi um fóssil, ou mesmo osso sequer que não fosse da galinha ou da costela do boi. Não virei arqueólogo. Os dinossauros não existem.
Não há mais lixeiras na Presidente Vargas. Não há mais Inverno na cidade do Rio de Janeiro. A palavra "não" não foi desconsticionalizada da língua portuguesa. Não duvido do amor. Só não tenho paciência. Não acredito na Revolução. Nunca fui com a cara do Faustão. Nunca gostei de sorvete de passas ao rum. Nunca fiquei resfriado. A democracia representativa não me satisfaz. As cicatrizes pelos meus braços e pernas ganhas em partidas de futebol na infância não me satisfazem. A vontade agora minha de morrer asfixiado com gás de cozinha também não me satisfaz. Porque eu não virei arqueólogo. E os dinossauros não existem.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
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