quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Os Besouros
Mal falamos a mesma lingua meu amor e eu. Eu vim da Patagônia, na Passárgada ela nasceu. Jesus nos leva nos braços, mas somos ambos ateus. O tempo é cretino e não passa por essas bandas. A fotofobia é amiga e saímos a noite. A rima é pouca e já acabou. A insonia que nos apressa e qualquer hora precisamos saber as horas. Meu por de sol azul e rosa nasceu na Transilvânia, e disse que o Drácula morreu de enfarto. Eu vivi a vida inteira na Amazônia e nunca vi besouro ao vivo. Mergulhamos na água mas a praia interditada. Chuva que vem matamos sede. Meu doce de caju e eu mal sabemos a cor do nosso nome. E quem sou eu pra perguntar a Deus. Língua que vem nos mato a sede. Seus dias são bala perdida. Mal falamos a mesma boca, seus lábios Tocantins, de sotaque de além mar aos meus trejeitos de francês paraguaio. Moramos sob um rio e peixe de café. Cidade pequena pra tanto tantos. O horizonte apertado no peito. Se vão os meus anos se apressando na frente. Os meus risos sem rio nem nado. A distância que cabe agora na palma da mão me pergunta: quando vamos nos ver assim de novo?
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário