terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Esta Cidade Não é Minha

Esta cidade não é minha nem sua
Eu, paulista e dente torto
Tu, nordestino irritante
E mesmo tu, carioca da gema
da Lapa arco íris, boteco e sangue bom
Esta cidade não nos pertence mais
Pode ter pertencido aos nossos ancestrais
De séculos atrás
Se você for descendente de indígenas
Esqueça os repentistas dominicais
Estes 40 graus de febre e garoa que vira enchente
Pertencem a quem pagar mais
Este novo condomínio de luxo
Com vista pra Praia, da Barra, Leblon
(Copacabana já passou -
na tarde irritante, com o cracudo insistente
pedindo esmola e pedra
pra se matar afogado na praia suja de saco plástico)
Vida que é vida não pertence a ninguém
Esta cidade não é mais minha nem sua
A maravilha que é breve no cartão postal
Pra quem paga a vida à crediário
Se mude
A seguir, quando ficar doente de sede, de raiva e de dengue
Abra a boca
Sacuda a poeira de óleo pendurada nas asas.

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