quinta-feira, 8 de julho de 2010

Foz

Porque a paz há de chegar e selar o sétimo selo
O mar do vermelho repousará no azul
E brilhará no mesmo céu onde brilha Zumbi
Cada silhueta agora desfocada sob o sol preto

No mar de alfalto vermelho e açoite
Que à luz do dia destruiu
E a voz da história construiu
Cada silhueta apagada há se de tornar estrela
De riscar de luz nossa face à noite
Mas até lá...

Porque o Rio há de ser uma cidade pra frente
Tropas pacificadoras hão de trazer mais
Saúde e paz, menos necrotério - aqui jaz
A cidade de quem queria viver
Dando seu lugar
A uma cidade pra quem quer ver
Porque São Paulo e qualquer outra capital, periferia
Não há de ser diferente à luz do dia
Se cada pedaço de país e do mundo é um pedaço
Do mesmo sim, do mesmo não, do mesmo fundo
De oceano que tem quem ache que não navega
Mas navega sim, e navegar é preciso
Por mais que indeciso seja o pulso do povo
E o peito de quem queria querer lutar e não luta
Até eu.
Até eu e
Até lá...

Este Rio que lava minha pele
A marca com suas águas vermelhas
E porque iria eu pensar que só este Rio deságua aqui
Se todos os Rios deste país desaguam em mim
Desaguam em ti
Se todos os Rios deste país se mancham do mesmo sangue
Se todos os Rios do mundo se mancham do mesmo sangue
Se todos os Rios cuja água eu bebo levam, consigo, embora
Um pouco do meu próprio sangue.

Um comentário:

  1. "Cada silhueta agora desfocada sob o sol preto"

    Tá ficando gótico =)

    hehuieiouheheiue

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