terça-feira, 4 de janeiro de 2011

I

O jeito que o silêncio te faz abrir a boca pra dizer, pra dizer não, pra cantar, com todo desespero do mundo que, apesar do despero, você tem uma vida inteira pela frente, pelos lados, pelas paredes e pelo teto; o jeito que aquela luz entrando pela fresta da janela, meio retrô, que você ainda não abriu, o jeito que essa luz te faz abrir os olhos, fechá-los num bocejo inevitável, e abrí-los novamente, e que te faz achar que as manhãs são a melhor hora do dia; o jeito que um bom dia inesperado te faz escancarar um sorriso e voltar a acreditar, por alguns instantes, na humanidade, no coelho da páscoa e nas propagandas do Itaú; o jeito que o final da tarde te desperta uma ânsia pelo dia que passou e uma vontade de voltar pra casa; e o jeito que você me faz rolar na cama até as três da amanhã, me obrigando a levantar para escrever um poema sobre estas referidas coisas, só me leva a crer que você precisa parar de beber tanto café.

Um comentário:

  1. A - F - G - C - E7

    A - F - G - C - Cm - G - A - F - G...

    C - G/Dm - Am - F/G...

    ResponderExcluir