segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vai

Quão cedo ou tão tarde
Há de se saber a verdade? -

- A verdade surgirá
Num samba enredo de Carnaval passado
Num bloco vindo que já passou por essa rua
No suor doce que suou mas já secou na tua blusa
No beijo bom que já beijou sua vida
E agora quer sossego e bom bom bocado -

- O sossego virá numa rima crua
No bilhete grudado à imã na porta da geladeira
Sossego será um adeus dado - porém silêncio
Será o choro preso na boca que mastiga o pão,
Engole o café queimado e a certeza:
"Saibamo-nos pois, estamos nus" -

- A nudez e o pudor que prova a pele que sentencia
À canção, à pátria, à língua, à Deus se anistia
De tão baixo - o grito se grita e escorre
De tão verdade - a verdade se estampa a testa
Mas tanto faz este amor parachoque
Paraquedas - há tanto cai e há pouco voa
Se neste céu particular - verdades tuas
Se neste corpo só que se goza só
Se neste ou naquele sonho tanso sem plural
Há tempos são os sóis que se escurecem
Raiando cedo a manhã devida pra amanhã -

- Quão cedo e tão tarde
Da vida
Há de se saber a metade.

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