domingo, 14 de agosto de 2011

É engraçado como mesmo uma gata amarela caída no chão e sorrindo parece mais linda porque de alguma forma me remete a você, porque, sei lá, por ser amarela. Mesmo sabendo que gatos e gatas não sorriem, é engraçado pensar que eu vejo esses sorrisos até mesmo em buracos de tomada, em restos de farelos de pão espalhados no prato esquecido em cima da mesa, na forma que as poucas estrelas visíveis do centro da cidade se arranjam no céu, toda e cada vez que saio do seu apartamento e aperto o térreo e caminho pela rua olhando pra cima e reparando nas coisas. É engraçado perder a vontade de fumar, voltar a acreditar na infinitude do universo e até sentir um ímpeto voluntário quase indomável de ajeitar a minha cama, varrer a sala e arrumar minha escrivaninha, se eu lembro que no próximo fim de semana é você quem vai dormir aqui. É engraçado passar limão no cabelo pra tentar acabar com a caspa só porque você sempre me diz pra fazer isso mas eu nunca faço, embora com certeza eu tomarei vergonha ainda esse mês e darei um jeito nessa história. É engraçado ver vestidos em você, e ver você nos vestidos alheios, vestidos ou não vestidos, é engraçado comprar flores e deixá-las morrer porque não era isso o que eu queria e iria te dizer.

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