sábado, 2 de junho de 2012
Andaime Nº 2
Se eu soubesse que o mundo cheio de graça e saco
Me cutucava e beijava às três da manhã de língua
Me jogava do chão agora, pisava o céu e ria
Que isso estranho boiando na minha caneca de chá?
Que riso estranho vindo do meu guarda roupa?
Meu amor, não venha com mais feriado
Se eu fosse artista largava esse emprego
"Prefiro morrer cego, sem dente, jogado na esquina"
Se eu soubesse que crer e ter são verbos metafísicos
Pesquisava no Google o que é metafísica
Saía de casa como que se fosse trabalho
E ía parar, perdido, em Jacutinga
Se cai um toró, os filhos perguntam "'quê isso?"
No meio do nó, do cadarço, talvez paraíso
Talvez em Londres eu me encontre contigo
"Prefiro abrir o paraquedas e me jogar do andaime"
Se eu soubesse curar o câncer, a preguiça
A babaquice, o rock, o samba; eu curava
Se eu soubesse curar essa necessidade idiota por Deus
Se eu soubesse curar essa carência idiota: a Ciência
Eu vendia o remédio e fazia fortuna
Mas já que não sei, não curo coisa nenhuma
Muito mal minha boca cicatrizada da noite passada
Se eu soubesse rimar, virava poeta, te roubava um beijo e transava
Corria sem roupa de madrugada
Só pra ver em plena quinta feira a cara de susto
De quem, ao contrário de mim, vai trabalhar
Prefiro morrer, bem cedo, de acidente vascular
Com seu corpo bem quente abraçado dizendo que o meio do mar
É coisa muito estranha porque não é um lugar.
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