Luiza, me diz se esse é seu nome mesmo, me diz se é esse seu nome. Eu ando confuso, ansioso, atarefado, embora geralmente só fique de barriga pra cima esperando o Sol nascer às seis - aliás, quando chega o horário de Verão mesmo? porque eu não aguento mais levantar 5 e pouca da manhã achando que tô atrasado. Eu ando chato, eu minto muito mas minto mal, me desminto mais rápido do que o transformador aqui da rua dando problema depois que chove forte. E quando eu penso em me jogar no mundo, vem mais um boleto pra pagar ou outra fatura atrasada do catão. Espero, sinceramente, que você receba essa carta aberta de coração aberto, porque o mundo e a gravidade não cabem na tela de celular nenhum. E o perigo estúpido de ser feliz está sempre ali latente, como quando a gente fuma, e diz que fuma só quando bebe, mas corta a cena a gente se pega abrindo uma lata de cerveja embaixo do banho, embaixo da cama, só pra puder fumar alis também. Eu te mando essa mensagem, Luiza, daqui do fim do mundo, daqui do tédio dessa fila do Mundial, acabou a luz aqui também e as pessoas ameaçaram quebrar o mercado inteiro, mas ninguém faz isso, né? Carioca mais ladra que morde. E o gerente, assustado, veio gritando calma-calma, e as pessoas palavreando palavreados, e a moça do caixa, estressada, aproveitou o furdunço pra acender um cigarro, e ninguém, pela adrenalina, se tocou que ela tava fumando em lugar fechado, a não ser eu, claro, porque eu que cedi o isqueiro. E eu aqui, frustrado em ter que deixar umas compras pra trás, derreteu o sorvete, rançou a carne; e ansioso para abrir logo a janela do quarto pra tirar o cheiro de guardado; e hoje parece que ninguém vai beber porque amanhã é dia útil de novo. Poxa, Luiza, hoje parece que não vou fazer nada-nada outra vez. O ano já tá acabando, réveillon, carnaval tá aí na porta e a gente aqui perdido em alguma capa de caderno Tilibra-década-de-90. A cafeteira explodiu, deixei o miojo queimar a ponto de estar indissociável da panela e recebi um recado de um ex-namorado, ou seja; vamos morrer aqui, rapidinho?
Escrevi muito pouco esses últimos meses; parece que eu só consigo escrever sozinho, o que é angustiante porque tem mais 9 pessoas lá em casa. Mas Luiza, vem, me diz aí seu sobrenome, me diz seu telefone, por mais que imaginária você deve ter familiares, você deve estar também conectada. Descobri uma ferida no céu da boca e não faço ideia de onde ela surgiu; descobri também outra ferida do lado de dentro da cuca, mas essa eu imagino bem de onde veio. Lembra daquele dia, você reclamando da sua família, você ameaçando incendiar a Presidente Vargas com seus movimentos de polidance no primeiro poste que aparecesse na frente? Pois é, eu lembro, e sinto sua falta. Vamos beber um café qualquer dia desses pra eu te mostrar minha tatuagem nova? Fica tranquila que eu desisti de tatuar os três porquinhos e a casa de tijolos no pescoço. Na real tatuei no peito um lobo enorme e tô aqui pensando que vai ser muito engraçado quando eu for soprar as velinhas do bolo do meu aniversário no ano que vem.

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