quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Uno

Feliz, cria que o amor do mundo inteiro cabia no bolso (furado) da lateral das calças, dos cados de beijinhos, brigadeiros e tamarindos que caiam sem doer. E que a próxima, e que toda, viela sempre daria em bares lotados de vozes e sambas altos, de demais andar pelas mesmas ruas da Lapa. E, antes de aprender quem se deve abraçar vida à fora, evitara quaisquer braços, inclusive os próprios, e bancava à Vênus, sem Milo. E de tanto sorrir arrastado para tanta parede e tanta gravura estatelada no tempo, deu de gargalhar para o firmamento. Contra o firmamento, digo. Para ver se, do desespero escancarado, ainda que mascarado para o lado de lá do espelho, brotava razão à mais para continuar à se esperar. "Se esperar", com toda ambiguidade do termo, sem beiço e sem trema.

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