segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Eu Sou Alberto Pereira"¹

As cidades que amanhecem
E seus Centros com odor de urina
Todo e qualquer Centro fede a urina
As namoradas que desapegam, da Lan House
O E-mail derradeiro de despedida, beijos me liga
As manchetes que ignoro de meia em meia hora
A tragédia humorística do jornal popular
Os convites de emprego nas cidades do interior
As colônias francesas cheirando ao pescoço
As flores e o sangue
As audições no Projac
O passeio na Ilha de Itaparica
No Jardim Botânico, a trilha no Parque Lage
O fim de semana em Paraty
O Natal da Avenida Paulista
E da Lagoa Rodrigo de Freitas
O Shopping da Barra, o Barra Shopping
(Shopping é shopping em qualquer canto
Pessoas são diferentes)
O cochilo papelão deitado e distraído
Na própria merda e no próprio mijo
Quiçá nas próximas férias na Europa
E as últimas férias na Região dos Lagos foram
Há 20, 30 anos atrás
O Caetano, o Haiti e o Leblon
Daqui é um longo vôo até Paris e os
Aeroportos fechando às vésperas do Carnaval
(Aeroporto também é Aeroporto em qualquer lugar
Aeromoças, idem)
Porém seu vôo particular do Santos Dummond
O furúnculo ainda aberto da sua barriga
O dinheiro que parou de pedir
Porque ninguém pedia
A fita amarela amarrada e o pedido
De assistir à próxima e a última Copa na África
O fim de semana no Centro da cidade e a paz
A paz que só sente quem sabe
O que o silêncio dessas ruas traz.

¹Palavras recitadas, ou gritadas, por um mendigo no centro da cidade
do Rio de Janeiro
em uma manhã de Domingo, enquanto socava violentamente o chão.

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