quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lilith

Quero a liberdade de desquerer o que devia querer
Quero minha palma da mão tocando a outra palma além da minha outra
Quero aplausos, mas das macieiras
Quero vento
Sem abanador.

Quero a saída mais fácil e hábil e táctil para o céu
Quero sem Deus, sem adeus, Edem ou prece
Quero você, Lilith, quero esquecer de rezar
Quero dormir a hora que eu quiser
Quero lençóis
E companhia.

Quero cansar e duvidar do cansaço ou do laço
Que ata os pés e consequentemente suas asas
Quero cantar pela boca e pelo corpo
Alto o bastante pra propagar no vácuo
O silêncio que é só meu
E seu
Quero ter a luz e a pressa escusa
Das estrelas.

Quero crianças correndo nesse quintal
Quero crianças cantando nesse quintal
Quero crianças
Quero ter um quintal

Quero a paz do caos de suas metrópolis
Quero trafégo, tráfico clandestino de amor
Quero que voltem a proibir o amor
Pra que possamos amar mais
E nos tornarmos viciados
Quero me esconder em outras tocas
Além da minha
Quero respirar por outras bocas
Além da minha
Quero você, Lilith, e esquecer de acreditar
Que quero um mundo melhor
Eu quero aprender a esperar.

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