A última cena está cortada
As pernas da moça estão cruzadas
Mais uma guerra vai começar
E eu não acho o controle remoto
Pra abaixar o volume
O dia vai acabar em terremoto
E só vejo o aviso de "Não Fume"
Ela me sorri descompassada
Tudo o que eu quero é um compasso
Devo ter jogado bola de papel na cruz
Acho que sou Jesus
Me pedem dinheiro de novo
No meio da rua, o bolso furado
Abro os classificados, do Povo
Do Extra, vejo uma notícia besta
Desempregado de novo e, olha
Olha que é fim de ano
Só devo arranjar algo ali
No Norte Shopping
Quem sabe um Telemarketing
Vamos ver se alguma coisa
Ano que vem muda
Acho que eu sonhei com BudaPeço um trocado pro meu Pai
Vou atrasar com a faculdade
A Marcela me jogou um sorriso
Eu bem que tentei sorrir de volta
Hoje fez 46 nessa cidade
Como uma frente fria faz falta
O mundo vai acabar em 2012?
Tem gente esperando que sim
Ela abre os dentes e faz pose
E me pede pra tirar uma foto
Na Praia de Copacabana
O Rei emenda outro medley
Achei que era o Elvis Presley
Já é véspera de ano novo
Ontem entregaram um Nobel
Desses da Paz, mas, Pierre
Acho mesmo que tudo é guerra
Sonhei com um samba de Noel
Que, além de vivo, reclamava em canção:
"Mas me cai o fim do mundo logo no Verão?"
Passou o dia 21, mas só confio
De estar a salvo em Janeiro
Corta um pouco a costeleta
Paulo Coelho com outro romance
E eu, aqui, em noveleta
É, é aquele mesmo lance. E não ri, não!
Ela acha que eu sou um John Lennon...
Cabelo curto, velho e bom All-star
E roupa usada, mas nem parece
Quero menos conta pra pagar
Tá abafado, mas disse a previsão
Que vai chover no Reveillon
Juro que a humanidade
Desse ano não passa, mas, quem jura, mente
E eu já passei da idade de fazer essas coisas
Agora já é dia primeiro
Ela me abraça e beija
Afinal, o mundo não acabou
"-Tá inteiro?"
"-Pega a cerveja, ninguém morreu!", soltei, num riso
Eu tava achando que eu era eu
E achei muita graça nisso.

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