domingo, 30 de setembro de 2012
Primavera
Te ofereci meu amor em 1983, desde então um presidente caiu, a bolsa parou cinco vezes, a dívida externa triplicou e nossos pais se mataram; vendi mate na praia, me formei em economia, aprendi a fumar maconha e crack e larguei, viajei p'ro Nepal onde encontrei sua prima, lembrei de você e lhe escrevi esta carta; você, pelo que disseram, aprendeu a voar, digo, literalmente, virou piloto de avião, está esperando gêmeos e foi escalado para trabalhar na campanha para reeleição do atual prefeito da cidade que eu odeio - cidade e prefeito; te ofereci meu amor, minha coleção de pecinhas de LEGO, e sexo livre de culpa em 1997; em 1977, 6 anos antes de te conhecer, numa ciranda de roda quando ainda se brincava de ciranda, te amava já, e comecei a cultivar três pedras: uma pro peito, outra pra um dos meus rins, a última para arremessar contra sua janela em sua casa na rua Visconde do Pirajá, número 75, apetê 32, terceiro andar. P.s: espero realmente ter acertado o andar, na verdade, certos prédios contam o térreo como primeiro andar e outros não; tentei perguntar isso pro porteiro, porém ele ficou desconfiado e ameaçou chamar a polícia; a propósito, deixo aqui minha reclamação, se possível o demita em breve (seu nome rima mais ou menos com pudim); em caso de eu simplesmente ter incomodado seu vizinho de baixo ou de cima, deixo aqui minhas sinceras desculpas e um desejo de ótima primavera.
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