As manhãs me cercam como os cimentos cercam os quintais e bate uma inspiração nem pela porta mas pela janela que entra nem pelo Sol porque o dia é nublado mas pelo Ar que nem é tão limpo ou tão úmido vide São Paulo que nem é infância pois cresci na Baixada e me mudei pro Rio que nem maravilhoso é como dizem canções e cartões postais mas um mais inspira espirra e queima a pressa por mais que haja tempo por mais que não queiram que nos toquemos o sexo que por mais que nos amputem nos exigem o corpo ileso e o silêncio que faz no meio da Festa por mais se esteja boa que a cachaça ou cerveja a toa no canto da boca de quem faz que cama e amor até mais tarde mesmo embaixo da garoa nos querem sóbrios e disciplinados não como quem professa uma religião celibata mas como quem tem medo de chuva e de gente amontoada na Rua dizendo não, obrigado, não, obrigado, não é não, e é o caralho, por favor vai dar meia noite me bate uma dor na garganta e eu precisava de mais uma ou duas manhãs como essa pra voltar a cantar me bate uma dor no peito e eu precisava ou de quimioterapia ou de outra cidade que nem precisa ter tanta canção ou pacote turístico eu precisava muito de um ombro portátil desses de se levar na bolsa e que se deve vender no Japão vide tanta modernidade precisava de uma coisa dessas para chorar com calma decentemente já cansei de pagar tanto boleto devendo o analista não parcela a conta nem aceita crédito dos dizem que rezar faz bem que orar é de graça tanta graça deve haver na vida, ateus, Afrodite ou Ogum, algum deus lhe abençoe obrigado pelo gole e a saliva esse incêndio lá fora deixa a gente morrendo de sede.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
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