segunda-feira, 27 de julho de 2015

Micropoesia Para Dispositivos Móveis: Quinze

Ai, Iolanda. Que amor é esse que se embrutece assim? Saudade é essa folgada entre os dentes? Comecei a ensaiar um samba pra lhe fazer surpresa mas não levo de fábrica esse seu jeito sincopado. Encontrei barulho estranho vindo do seu quarto e comecei escrever (mas parei, que a luz dos olhos do novo smartphone me tirava também o sono). Continuei hoje cedo e a outra coisa a me deixar de pé era o seu respiro num compasso mudo, acariciando a almofada recém comprada que tenho certeza ter valor ou afeto algum pois ainda levava a etiqueta. Perguntei me batucando, agora escrevendo de dentro da minha cabeça, Que afeto é esse que lhe sangra à punhos? Toca seu rumo. Não que eu seja de sorrir tão facilmente ou tenha uma cura instantânea, dessas de se dissolver em água fervente, para o seu dilema. Desculpa inclusive se eu meto a colher nessa poluição e vai que nem era ruído o que eu ouvia mas uma canção? O outro verso se seguia assim. Que punho é esse que lhe sangra os sonhos/ Mas lhe recusa a estender a mão? Só queria dizer, Iolanda, amiga, que se precisar de um café ou  um cafuné (que, além de serem as duas únicas coisas que sei fazer decente, foram as palavras que calhei rimar), estou ainda logo no quarto ao lado. 

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