sábado, 3 de abril de 2010

Enfim

Tire a ponta
De seu dedo
Da ponta do meu olho
Esquerdo
Atire de vez
Todo esse ódio contra o céu porque
Se eu lhe digo
Que é verdade
É verdade
Finja que tem medo também
Quando desligar
A luz

O lado de cá
Desta manhã
A tarde inteira
É baía
Do lado de lá
Da noite e madrugada
É oceano
Mas finja que tem medo também
E abraça o chão
Sujo no meio do lençol
Que eu deixei
Há muito tempo atrás
Na sua cama

Quando desligar
Atende logo o telefone
Que eu sei que é pra você
Porque o silêncio só tem pressa
Quando chove
Que a melhor oração que eu faço
É adormecer
Sem sonho
Que eu vou dizer "não" mais uma vez
Só pelo prazer
De me privar.

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