Há de se retornar ao lar
Até que sua sacada
Torne-se familiar
Há de se beijar os rostos
Até que seus gostos
Assimilem-se ao paladar
Há de se confundir as gentes
Suas cores, seus nomes
Suas respirações repentes
Há de se sorrir às vezes
Quando se afagar, amparar distâncias
Entre minutos e meses
Há de se cheirar perfume outrora
Reatar os cachos d'Isadora
Laçá-los às suas infâncias
Há de a ti entrever no oceano dela
Dilúvio que anseia o teu abismo
P'ra espelhar horizontes
Há de se querer ofuscar a treva
Nela, de sua solidão, o eufemismo
Seu colo, Elixir e fonte
Há de se talhar mentiras
De forjá-las com maestria
De fitar a face à metade
Há, do ar que se respira
Querê-lo além da necessidade
Esta arcaica fome doentia
Há de se morrer por cada palavra
Que se captura da noite que cai
E se aprisiona a pão e água
Há de alguém que se desbrava
Que se devora o desespero, apenas
Sob a Terra respirar a trégua
Há de se aportar sem cais
Quem navegar por quem se amava
For, a si, já, o que se faz
Há, do despedaço destes nomes
Em memórias, lados, medos tais
O esquecer-te e o ser-te, tu que somes
Névoa à fora aos braços de Hades... ademais:
O viver do antes constante
O tremer da carne amante
O chover do céu adiante
O haver saber, saber infante
O reter embora instante
O viver depois durante
Agora.
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