Corro quando dá meia noite
Corro quando bate o desespero
Quando bate a vontade de morder
Corro quando correm atrás de mim
Corro quando a pressa me persegue
Corro que eu quero tempo
Corro atrás do tempo
Só que o tempo corre veloz também
Corro porque sofro porque morro quando escorre alguém
Por debaixo da porta
Corro de pega-pega, de medo, de conhecidos que desconheço e de tédio
Corro porque os outros correm
Corro porque estava parado
Na ponta da língua morre a palavra: esta prestes à dizê-la
E com ela morre, inteira, a sede que eu ia matar
Morro de raiva quando isso acontece
Jorro rios cada santa vez que você seca
Porra, me diz, p'ra que tanta pressa
Corro só p'ra que finalmente anoiteça
Corro só, porque solidão acontece
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