quarta-feira, 30 de junho de 2010

Jaz

A única e última
Vez
Estar
De pé diante da porta errada
De pé diante dos pés errados
De pé sob o par de pés errados

A última vez
Que um braço se extende
Para fazer sinal
Pr'ela parar
Que um braço se extende
Sem abraços

A única vez
A única tarde que se passa
Com os pés enterrados ao mar
Os pés que vão e ficam
O que vai é o que fica

E as mãos se emaranhando com o vento
Ah, se o vento ficasse
Se o vento ficasse um pouco mais
Se o silêncio que se faz
Se fizesse um pouco mais
Se Janeiro me aqui jaz
Se jamais um pouco mais

Mais um pouco
Amanhã
Lá, menor que eu
A última e a única vez
Que eu tento mais um pouco.

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