quinta-feira, 31 de março de 2011

Calotas Polares

Escrevo um auto manifesto contra a hipocrisia:
A hipocrisia deste que vos fala
Deste que vos costumava abrir a voz com intuito de apontar mazelas do planeta.
Este que vos fala está exausto de cansar sua beleza em discursos que pregam a verdade
E, tampouco, está disposto a recitar uma, reciclada, Ode à mentira:
Não há mais mares para se navegar
O homem já sabe voar há quase duzentos anos
Contudo, este ainda desconhece os métodos pára se parar uma chuva,
De como tornar água em vinho,
E de como erigir, de fios de cobre de televisão, algodões doce:
Chega de sonhar
Chega de dormir
O mundo que está ai fora não pode ser tocado
Mas, desde o berço, estamos tateando por ele às escuras
E pedindo à terceiros que nos atravessem essas ruas
Não posso querer idolatrar os engajados políticos
Embora profundamente os respeite
Menos posso, portanto, aprovar os que não se coçam
Porque sei o quanto minhas costas precisam de unhas e das feridas que estas podem e devem fazer:
Só o que quero é evitar o silêncio
É isso:
Evitem o silêncio
Evitem a boca calada, caída de lado por conta de um AVC
Eu juro:
Eu prometo ir de joelhos, da Lapa Carioca à Catedral de Aparecida do Norte, se sair, de qualquer forma, desta boca, destes dedos, uma palavra que não seja inspirada pela profunda ofensa e revolta causada pelas manhãs doces de domingo; uma palavra: que não seja regada tenra, calma e docemente pela raiva causada pela descoberta de que se acabou o pó de Café; esta mesma raiva que declara guerra:
Eu declaro guerra:
ao silêncio
ao racismo
à homofobia
à Televisão em dia de Domingo
ao medo
ao fim do mundo:
O fim do mundo não vai acontecer:
Em 2013 nos veremos caídos de braços dados, na areia da Praia do Forte da Barra, a fitar o firmamento que estará a brilhar calmamente sobre a Baía de Todos Os Santos; assim estaremos, desenhando sorrisos perenes em nossos lábios e nos perguntando:
"Por
que,
tanto
tempo,
nós
ainda
duvidávamos
das
estrelas?"


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