Estava prestes a abrir a porta sem olhar quem me chamava, a rua estava vazia, ao menos pelo olho mágico, mas meus ouvidos ouviam uma voz ofegante que solfejava o meu nome, enfim, do lado de fora, a chuva estava por cair, o vento se metia pela minha respiração, e, apressado, eu corri em direção a voz que eu ouvia e que agora sussurava um segredo, um segredo que eu precisava ouvir de perto, e esta voz, macia que só, passou a cantar, e a canção que esta voz cantava passou a crescer, a ser seguida por uma orquestra, filarmônica, completa, e esta orquestra se silenciou por uns instantes, dando espaço ao som de uma banda, uma banda de rua, destas que passam a tocar marchinhas tradicionais, e estas marchinhas voltaram a ser seguidas pela orquestra, e o volume passara a crescer mais e mais, enfim, agora, novamente, a voz macia tornara a surgir, e esta voz retomara o cantar da canção, da canção sem nome, sem letra, secreta, a canção que me dizia um segredo, um segredo que sem medo, eu queria pra mim, eu queria em mim, e assim que tomei nota, no bloco de notas, do que se tratava este segredo, eu tratei de guardá-lo pra sempre no canto mais arejado, melhor servido pelo sol, cercado de plantas, de água fresca - eu tratei de guardá-lo no melhor pedaço da casa onde eu vivia - eu tratei de guardá-lo, estampado, na minha ferida mais aberta - eu tratei de guardá-lo, em todo pedaço de mim que eu chamava de vida - eu tratei de guardá-lo e cantá-lo em todo e qualquer canto.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário