quinta-feira, 28 de abril de 2011

Panfleto

Falar de liberdade é um jeito fácil de se fazer de livre
E desaparecer na noite com o que sobrou do corpo
e do copo de cachaça de semana passada:

De quem é o riso torto e o beijo vago que você
tem me empurrado desde que pisou aqui?
A pista tá cheia, o mundo tá acabando, e só você aqui não está gritando:

Eu faço de sua corrente, meu pingente, minha arma, punhal, e declaro guerra, guerra, guerra, guerra pois:

O direito de calar, e o direito de ferir, tem o mesmo peso do direito de ir embora, desligar o telefone, de mandar pro raio que o parta e de sumir sem dar notícia:

Chega de prego nesses pulsos ou de culpa nesse sexo, ou de paz de discurso, quero o caos, o caos que eu vivo agora e sempre e a vida que há de ser vida independente de eu vivê-la, eu quero o caos que sou só eu e eu fingia ser ninguém:

Já que é assim, faço desse meu remorso e rancor, meu suspense, minha trama, meu enredo agridoce, e meu caos, minha guerra, guerra, guerra: eu declaro guerra a minha preguiça, a minha fadiga, ao meu sono, a minha falta de vontade de:

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