terça-feira, 26 de abril de 2011
Se
A cidade estava inundada e o oposto do descaso era a audiência e eu poderia me casar com este silêncio que a palavra certa causa poderia me calar diante da boca boquiaberta prestes a dizer o que devia ser dito e não o que eu gostaria de ouvir e me congelar e me embriagar de vinho tinto com animais já extintos poderia sangrar a mão neste aperto de mãos e cortar a garganta de tanto cantar uma canção e poderia correr descalço pelado com frio com pressa e fadiga e chegar mais cedo onde eu deveria estar desde sempre e eu poderia retomar minha crença na Páscoa no Natal e nas promessas de um mundo novo feitas por Bono Vox e pelo Papa Bento XVI e poderia voltar a atrás e deixar de ser o que me sobrou ser ou eu poderia pular para o última página deste livro ao invés de arrancá-la e eu poderia estar errado e poderia poder voar e saltar por prédios sem me render a justiça cega da gravidade e eu poderia suspirar por filmes que não passam mais na Sessão da Tarde eu poderia beber só agua e respirar por luz solar numa vida saudável e perfeita onde eu estrelasse não o céu mas uma novela das seis e poderia fazer sexo com a mocinha sem a beijar de verdade e poderia desligar a televisão ao invés de trocar de canal eu poderia abrir um livro de Saramago e lê-lo até o fim e eu poderia fechar o tempo e jogar a chave fora e poderia esquecer de ter que ir ao trabalho quando isso me conviesse e poderia ser astronauta para roubar constelações e fazer de refém poemas baratos para em troca ter de volta o amor da minha amada e eu definitivamente poderia ser um animador de platéia no Domingão do Faustão bem quando aos fins de semana entediado eu pudesse voltar a te amar e finalmente eu poderia calar a porra da boca mas eu não.
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