A chuva de um ano inteiro
Numa madrugada só
E quando você estiver tentando respirar
no metrô lotado: você vai lembrar de mim
Sempre serei o carnaval no qual você não saiu de casa
O feriado, o fiasco, o carro quebrado na beira da estrada
Quando você, apressada, tentar caminhar
Serei o campo gravitacional Lunar
E quando você, meu bem, aprender a dizer NÃO, NÃO, CHEGA, CHEGA
Eu vou também
Serei a época que ainda nos banhávamos na praia de Botafogo
O cobrador que ficou te devendo o troco
E o salva vidas vesgo
que lhe abriu a boca não pra lhe fazer respirar
Mas para lhe roubar o ar
E o beijo
A previsão do fim do mundo, Armagedom
O talvez, o sim e o não, ao mesmo tempo
Serei a canção: triste, de Smiths à Calcanhotto
Adriana, serei seu beiço, seu mal
Serei, deste canto, o enredo pronto
E o ponto final.

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