segunda-feira, 18 de abril de 2011

Custo

Ela passou aqui mais cedo hoje, e deixou, por debaixo da porta, o seguinte bilhete; o qual eu confesso, compreendi muito pouco conteúdo; inclusive acredito que não foi escrito pra mim, agora, mas para um outro eu, um eu que a dita cuja acha que morou aqui dentro, neste corpo, anos atrás:

Já estou sem noite, e meu dia vai nascer mais claro, mais cedo
Quando você chegar, se aparece lá em cima, lá em casa
Quebra um prato, uma janela
Pergunta minha idade
Pede meu açúcar já roubado, pega meu sexo emprestado
E não devolve não
P'ra falar a verdade
Já estou sem dia, e minha noite vai nascer mais escura, tardia
Estou sem paciência p'ra minha própria poesia
P'ro meu próprio amor
Se me ligar, vou te desligar o telefone à cara e te desejarei o inferno
E te darei o inferno
E Arnaldo Jabor
Amor é bossa nova
Sexo é Heavy Metal
Te morderei a boca, e quererei cortar o seu riso à faca
Arrancar à mão seu siso e
Outras coisas que a lei me pune
Mas sorte sua: não lido bem com sangue - nunca lidei -
Por conta disso, me manterei calada
Você vai fingir que nunca leu
Terei certeza: escrevi nada.



ps;provavelmente ela tem alguma razão.

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