sexta-feira, 15 de abril de 2011

Chocolate Nº 2

"A vida bate aqui - pede doces e travessuras - essa parte do céu nunca fora tão escura - a cor dos lábios que embranqueceu - o brinquedo novo que não é mais seu"

"Acho que vou sempre ser partido, um coração - pedindo doce de São Cosme e Damião - batendo a beiço na porta de estranhos - me apaixonando por olhos castanhos. "

"O dente cai, tão cedo e tão tarde - mesmo suor de quem joga bola e joga o corpo - contra a parede, a ferida arde - a lágrima que cai no ombro que já foi beijado, cai no chão - a boca suja de sorvete se suja de batom - não falo do chocolate, nem de mágoa, não, não falo mais de chocolate, nem de páscoa."

"O riso se abre mesmo sem dentes, e esta tarde, esta noite, essa risada de quem mente, esta noite chegou tarde demais, e esta falta, a falta da mão que se abre para apertar se contra a outra, do abraço que se abre pra se abraçar o mundo... mas todo abraço se fecha alguma hora, e uma hora essa hora chega, e uma hora essa hora já chegou, e, nessa hora, Deus que ore por nós, e uma hora já é uma manhã e é hora de dormir. A sós."

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