Hoje é um belo dia p'ra se plantar cebolas. P'ra escrever um poema a dedo na beira d'água da praia ou no guardanapo que veio sobrando do fast food. Hoje é um dia bom para se tirar férias ou aprender a tocar trombone. Um momento ideal para inventar segredos ou uma receita de bolo de cenoura com mel. A hora certa para comer torrone. E comer paçoca. De escrever outro poema no verso da fatura vencida do cartão de crédito.
Hoje é meu dia do ano favorito para pedir desculpas. Então aproveito: me perdoa. O céu está mais p'ra cinza, tem nada de bom p'ra comer na geladeira, o dipirona abaixou a febre que já levantou de novo e voltou a esquentar; mas, me perdoa. Pela pressa, pela tosse, pelo susto, por lavar suas roupas sem amaciante. Hoje é meu dia favorito para pedir desculpas; amanhã também será. Outra data igualmente útil para se beber suco de laranja e sentir saudade. De pegar uma nova doença, ser diagnosticado em estado terminal e sarar a tempo de ver o pôr-do-Sol do Arpoador.
Hoje vou tirar o poema que você me deu do chão e guardar. Descascar cebolas e chorar. Ver você brincando e rindo no balanço do parque e chorar ainda pelas cebolas. Encontrar joaninhas perdidas no xadrez da toalha do piquenique. Qual foi a última vez que tínhamos visto joaninhas? ─ Hoje.

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