sábado, 4 de outubro de 2014

Situações inusitadas por se ter uma memória visual forte:

Lembrar, do nada, enquanto bebe um café e aperta um cigarro, do rosto de uma mulher aleatória. Simplesmente lembrá-lo fotograficamente, assim, deslocado de qualquer outra memória a respeito. Uma cara flutuante com requintes e detalhes, por exemplo, sobre a sobrancelha, tonalidade da pele, lábio e último corte de cabelo. Excesso de informação ilustrativa a respeito de uma pessoa que você não faz ideia de quem é, por onde ou por quem conheceu. Acontece também de se esbarrar, tão casualmente quanto, três dias depois, com a tal pessoa na fila do banheiro de um bar na São Salvador. "Verdade, era colega de sicrana." 

É interessante pensar que, apesar deste descolar memorial de imagens e fatos, a sensação da amplitude do tempo é constante. Como da vez que você entrou em um bistrô na Sete de Setembro para comer um croquete, caro, por sinal, e, enquanto conversava, sentou uma menina na mesa ao lado cuja face te transportou para pelo menos quinze ou vinte anos atrás. Ainda agora você não faz ideia de onde a conheceu, e, se fosse mais extrovertido e estivesse desacompanhado, teria puxado assunto para ver se reavivava a lembrança. O seu único palpite por enquanto é de que estudaram juntos na terceira série e que ela era proprietária de uma mochila rosa. 

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