domingo, 17 de maio de 2015

"Uma gota de sangue no chão do banheiro..."

Uma gota de sangue apareceu no chão do banheiro este final de semana. Lógico que fiquei intrigado. Procurei algum bicho pela parede que, por uma mutação genética, tivesse sangue vermelho como aquele e que eu pudesse ter ferido e pisado enquanto me banhava. Sou de gestos expansivos e podia muito bem tê-lo feito. Encontrei apenas os costumeiros, aranhas-de-poeira, gongolos, moscas-dos-filtros, apenas artrópodes cujos fluidos, mesmo após teste prático, não resultavam nesta coloração. Nem mosquitos aquela tarde moravam em meu lavabo e portanto tive que eliminar a mais plausível possibilidade de ter assassinado um destes insetos logo após o seu almoço. Cogitei os demais moradores da casa. Só havia um, que não estava ali desde a sexta feira anterior e eu me encontrava em pleno domingo. Seu sangramento haveria de ter manchado o chão? Talvez, mas eu teria de ter aberto a porta do banheiro, retirado minhas roupas, cortado as unhas, usado o vaso sanitário, tomado banho, e ter repetido este ritual completo três vezes e só agora ter notado esta gota de sangue vermelho no azulejo bege. (A barba eu farei novamente apenas na próxima semana.) Pouco provável. Além, tanto eu quanto o morador ausente somos do sexo masculino, o que diminuiria as chances de um sangramento desta magnitude ter ocorrido casualmente sem causar alarde. Pouco antes de tossir novamente já havia usado minha própria toalha úmida para limpar a poça de sangue. A segunda feira estava perto e haviam problemas maiores com que me preocupar. Por último verifiquei, sem sucesso, o teto. Porque vai que o sangue havia brotado de lá? Desde que vi um imã descer em câmera lenta um tubo de cobre venho concluindo que a gravidade pode ser traiçoeira.

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