quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Micropoesia para Dispositivos Móveis Dezesseis

Margareth vibrou e vibrou com a nova mensagem mas era publicidade ao invés de amor. Mirou entediada de banda a barba mal-feita duas fileiras à frente e à esquerda. Prendeu a atenção, pensou que era tesão. Mas tinha um sorriso esquisito quando virou de lado e o que cortou o barato. O sorriso esquisito era do Caio, que riu da animação em três dê na televisão, onde um boneco punha no outro uma boia pois com ela ambos evitariam se afogar e achou graça da desgraça simulada. Percebeu que um rapaz moreno com rabo de cavalo, ao contrário de Margô, que havia cortado curto na semana, havia gostado do riso e sorria de volta e pensou consigo mesmo minha nossa nunca tinha visto um marmanjo tão feio assim e que nem se aparasse a juba e tivesse uns 20 quilos a menos daria. Percebendo-se rejeitado, Hugo, que nunca entendeu direito porque gosta de olhar fixamente às vezes paro o rosto de rapazes aleatórios em coletivos públicos, virou a cabeça e começou a olhar pro nada.

O seu nada, porém, apontava para Cintia, que era de fato muito bonita e pensou que o cara esquisito de cara estranha estava sendo indiscreto em disfarçar sua atração, Então resolveu focar na baía que se mexia na janela ao lado e checar do que falavam no grupo virtual da família. O Rio de Janeiro se aproximando lembrou do horário de almoço e Cintia começou a pensar no que ia comer, tanto que acabou abrindo seu sorriso particular. Quem notou esse foi Taís, que voltava pra casa depois de uma aula cancelada mais cedo e de frustrada por ter gastado passagem, dinheiro e tempo, se sentiu um pouco redimida por ver alguém tão bela sorrindo por qualquer motivo fosse. Cintia olhou de volta e gostou de olhar pra Taís. Hugo havia mudado o ângulo do seu nada e não podia reparar. Caio só via a mesma linha do tempo no celular, repetida de horas mais cedo porque seu serviço três gê havia sido cortado por falta de crédito. O celular de Margareth descarregou e ela se flagrou prestando atenção ao redor. Tanto que esbarrou na sensação de que trocaria o namorado escritor pelo funcionário das barcas (seria um marinheiro?) que atracava agora a corda do laço gigante no pier da Praça XV. Sem a mesma sorte, pois seus aparelhos telefônicos ainda se encontravam repletos de bateria, Taís e Cintia nunca mais se viram novamente. 

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