A inspiração me acontece nas coisas mais inúteis. Na coceira repentina de um nariz agora, sinusite, nunca tive sinusite na vida e agora depois de velho. Aliás, espirrar já foi melhor. Mudava a circulação sanguínea da cabeça, quase que dava uma onda que ia durar meio segundo. Hoje espirro e vem agarrada uma tosse única, seca, parece um soco no tórax. Amava resfriar. Já amei também com mais técnica e método. Acho que toda criança é uma especialista em exercitar o verbo amar e posteriormente conforme a velhice a gente deve se esforçar para pelo menos não passar a linha do amadorismo e cair na mediocridade dessa arte. Eu mesmo me irritei por uma estupidez esses dias. O rapaz queria saber se o ônibus cujo ponto final é na Candelária passaria na Uruguaiana. Se estávamos ambos na Passarela 6 da Avenida Brasil sentido Centro a resposta era óbvia que sim, caralhos. Mas foi uma grosseria interna que calei e guardei pra ziguezaguear no estômago. Na boa maioria das vezes um ato de gentileza é a melhor saída. Vê como me inspiro no supérfluo? Quer coisa mais descartável que gastar tantos caracteres arquitetando um conselho?
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
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