Acerca das cercas
Que entrincheiram e trincam os quintais
Distância concreta
Entre os dentes de cima e os de baixo
Da boca que já secou diante
Do verde seco há ainda mais tempo
Sola de ferida na beira da pele
Costas marcadas (por quem?)
A mais nova cicatriz que debuta
No rosto marcado que ainda assim encanta
Distância concreta
Entre a vida e a mímica
Debaixo e acima dos ossos
Que repousam na Terra
Da Terra dentro de mim
Da Terra dentro de ti
Da erudição bem aquém erudita
(bem a quem já maldita?)
Quão sempre a separação
O Belo parecido com templos e pedras
Com pedras e sangue
Cal e cimento
Compondo os corações, dos próprios corações
Cantada a abdicação
Pelo desajeitado doce que se amarga
Nos trechos e becos
Soltos nas vielas do corpo humano
Contada a absolução
Cada suspiro marcado
Na esperança perdida
Da saída errada
O perdão que veio em atraso
Machucar o seio afastado
Ou que veio ferir a necessária marca de silêncio
Dependurada nas paredes ainda cinzas desta morada
Conclui-se:
O destino não cabe no bolso
Tãopouco cabe nosso passado.

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